Frame da campanha que tem Borghettinho e Bidê ou Balde

A Claro é a terceira operadora a apostar no "bairrismo" como uma receita para ganhar o público gaúcho neste ano.

Seguindo os passos da TIM e da Oi, a empresa apostou no local escalou o folclorista Paixão Cortês, modelo da estátua do Laçador, o músico tradicionalista Renato Borghetti e a banda de rock gaúcha Bidê ou Balde como coadjuvantes de uma nova campanha de marketing.

No campo estratégico, a ação pode ser vista como uma medida de manutenção do confortável segundo lugar no market share do estado mantido pela operadora, com participação de 32,26% – 10 pontos percentuais da líder, Vivo (42,91%), e duas e vezes e meia a mais do que as adversárias TIM (12,76%) e Oi (12,07%).

Onda gaúcha nas teles
Em setembro, a TIM patrocinou um piquete no acampamento Farroupilha, com direito à presença do presidente Luca Luciani e churrasco servido à moda campeira – comido em pé e com a mãos –, onde foram anunciados R$ 500 milhões de investimento no estado.

Cerca de um mês e meio depois, a Oi acrescentou um “Tchê” ao bordão “Oi” no final das propagandas gaúchas, divulgando os R$ 560 milhões já investidos no Rio Grande do Sul – sem grandes eventos.

Nas peças da Claro, apresentadas na manhã dessa terça-feira, 29, com direito a bomba de chimarrão de brinde aos convidados da imprensa, aparece o tchê e o gauchismo, mas poucos números.

R$ 3,5 bi no BR
O diretor da operadora para o estado, Mauricio Perucci, revela apenas números nacionais de investimento, R$ 3,5 bilhões em 2012, sem abrir dados por região.

Perucci é um dos três únicos diretores de regionais da Claro que respondem por um só estado no Brasil. Os outros dois são São Paulo e Minas Gerais. Para o diretor, isso, por si só demonstra a importância do mercado.

“E aqui sempre foi assim. Sempre tivemos uma regional apenas para o Rio Grande do Sul”, destaca.

Vale tanto que nem sei...
No caso da TIM, o investimento programado responde por 5% dos R$ 10 bilhões programados para o Brasil – próximo dos 6,64% de participação do estado no PIB e dos 5,9% de share do mercado de telecom.

Se mantiver as proporções com as participações de mercado e PIB, a Claro investirá cerca de R$ 175 milhões, abaixo da concorrência. Perucci, no entanto, faz questão de manter segredo:

“Posso garantir que o Rio Grande do Sul receberá uma parte significativa dos investimentos”, declarou, sem quantificar a importância.

Gaúchos plugados
Explicando a razão de tanta atenção para o mercado do extremo Sul do Brasil, Perucci acrescenta que o gaúcho é mais “plugado” e interessado nas novas tecnologias, aderindo rápido, testando e se posicionando.

Como prova, cita os aumentos nas vendas de smartphones do terceiro trimestre na comparação anual – 570%. Entre os tablets, a alta foi de 1600%.

“Se é um mineiro, desconfiado que só ele, primeiro olha, espera alguém comprar, testar, dizer que é bom e só então vai pegar o seu”, brinca Perucci, que é natural de Minas Gerais, mora há quatro anos no Rio Grande do Sul, e até já experimentou a tradicional pilcha gaúcha.

Outras operadoras compartilham essa percepção. Nesse ano, por exemplo, a Vivo estreou dois serviços no Rio Grande do Sul – o suporte via SMS e o Vivo Fixo.

No caso da líder, porém, a estrutura segue sendo de uma unidade regional para os três estados do Sul, com sede em Porto Alegre, assim como a Oi.

A TIM, anunciou a criação de uma estrutura individual no Rio Grande do Sul em setembro, sob a batuta de Christian Krieger, ex-Claro e colega de Perucci, em ação desde setembro desse ano.

“Sem esse tipo de estrutura é impossível você dar um salto no mercado”, finaliza Perucci.

Claro RS
No Rio Grande do Sul, a Claro tem 370 lojas (próprias e autorizadas) e presença em 1186 pontos de vendas. O 3G chega hoje a 73 cidades gaúchas, devendo estar em 100 até o final do ano, com 4,7 mil quilômetros de fibra ótica instalada.

Somada a tecnologia GSM, são 3500 municípios cobertos e 97% da população urbana do estado. A líder nacional, e no estado, Vivo, chega a 98% da população gaúcha com a tecnologia de voz.

Apesar de não ter a liderança no mercado gaúcho, a Claro é a operadora mais bem-sucedida em angariar assinantes dos planos pós-pago. No Brasil, a participação do pós é 18,38%, a Claro tem 26,49% da base nessa modalidade.

TIM, Vivo e Oi têm, respectivamente, 20,47%, 20% e 17,16%.