Eric Nicolaisen, diretor sênior de vendas para o canal corporativo e o canal de TI da RIM na América Latina

Considerada uma vítima da consumerização da TI, a RIM quer reverter o fenômeno a seu favor.

O recado ficou claro na última edição do BlackBerry Colaboration Forum 2011, realizada nesta terça-feira, 25, em São Paulo.

O mote foi declarado por Eric Nicolaisen, diretor sênior de vendas para o canal corporativo e o canal de TI na América Latina.

“BlackBerry também é diversão”, declarou o executivo.

A declaração se justifica: desde o iPhone, a empresa começou a sofrer pressão no mercado mobile, inclusive no meio corporativo.

"Antes, as coisas eram mais rígidas. Se eu tivesse um notebook da empresa, ele seria igual a todos os outros", relembra Nicolaisen.

Hoje, com dispositivos mais portáteis, desfilam pelas empresas iPhones e Androids - ecossistemas rivais e diferentes -, tudo à parte das determinações da TI, ameaçando a hegemonia dos BlackBerries nas empresas, já que os aparelhos são acessíveis aos funcionários.

Na consumerização, quem decide o dispositivo não está mais na cadeira do executivo.

Os efeitos são sentidos na RIM.

Segundo dados do Gartner, no primeiro semestre de 2011, a RIM encolheu 37,43% de mercado no mundo

Apple cresceu 29,07% e o Android,152%, assumindo a liderança.

A RIM é a quarta colocada, precedida pela Apple.

Diversão com RIM
Para reverter a situação, a empresa aposta em novos produtos e aplicativos.

Um dos principais reflexos da estratégia é o tablet playbook, lançado no último dia 19 no Brasil.

“Ele é um tablet com todos os recursos corporativos de um smartphone BlackBerry, mas também pode ser usado para descontrair”, ressalta Nicolaisen.

No keynote, tanto ele quanto Peter Gould, diretor geral da RIM Brasil, tiraram foto com a platéia ao fundo, postaram no Facebook, assistiram a vídeos da natureza e jogaram Need for Speed.

“Dá pra se divertir muito num BlackBerry”, insistiram os executivos.

Além disso, em parceria com a BMW, a RIM integrou os serviços do BlackBerry a alguns carros. É possível acessar e-mails, ouvir músicas baixadas no celular ou tablet da marca, gerenciar a agenda de compromissos e outros recursos.

Tudo feito via comando de voz, pelo celular.

Foco democrático
BMWs e BalckBerries, a combinação do alto-executivo? Apesar de tradicionalmente conhecida pela força no mercado corporativo, nas contas da RIM, a diferença entre empresas e usuários já é 50% a 50%.

“É um cálculo complexo. Nós temos clientes que são as empresas, mas nas empresas há os usuários finais, que vão colocar outros aplicativos nos seus aparelhos”, explica Gould.

No Brasil, por exemplo, o BlackBerry faz parte de pacotes promocionais das operadoras, numa estratégia de popularização, não dos aparelhos da RIM, mas dos planos de dados.

“O usuário de BlackBerry tem um grande valor para as operadoras porque ele fica num patamar de consumo diferente dos demais, por isso eles apostam na gente”, completa o diretor geral.

A empresa não abre dados locais, mas se soma ao coro do “Brasil é muito importante pra gente”.

Na América Latina, a RIM é a primeira em smartphones, segundo números próprios.

* Guilherme Neves viajou a São Paulo para o BlackBerry Colaboration Forum 2011 a convite da RIM.