O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, cutucou as operadoras de telefonia nesta terça-feira, 20, ao defender a manutenção para abril de 2012 do leilão das licenças da faixa de 2,5 GHz destinadas ao 4G.

“Sinceramente, eu acho incompreensível isso”, afirmou Bernardo, após participar do lançamento do Ypy, tablet da Positivo, em São Paulo.

Lembrando que as operadoras “pressionaram” para que o espectro fosse disponibilizado para a telefonia móvel de quarta geração, Bernardo concluiu: “Eu acho que algumas empresas estão com o olho maior que a barriga”.

A TIM – secundada por Oi e Telefônica – foi a operadora que até o momento defendeu mais abertamente o adiamento da licitação, que visa dotar o país de telefonia 4G em pelo menos nas 12 cidades sede da Copa até 2014.

Para Luca Luciani, presidente da TIM Brasil, as operadoras poderiam usar a faixa de 700 MHz, hoje ocupada pelos canais de televisão analógicos e que deve ser liberada com a migração para o sistema digital, prevista para ser concluída até 2016.

A Anatel ainda não definiu o que será feito dessa faixa após essa data.  

Luciani afirma que ela permite a implementação do 4G com investimento cinco vezes menores e que o dinheiro destinado à quarta geração -  o 3G atinge é usado por 10% da população – seria melhor usado em expandir a cobertura nas tecnologias já existentes.

A posição das operadoras não é unânime. A voz dissidente é da Claro, que já afirmou publicamente que é contra uma possível mudança do leilão da tecnologia 4G no Brasil.
 
Com uma previsão de investimenos no país de R$ 10 bilhões, a Claro defendeu que “um eventual adiamento traria prejuízos no momento em que nos preparamos para as exigências de eventos da magnitude de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada”.
 
Na opinião da Claro não existe antagonismo entre democratização do acesso à banda larga e a chegada do 4G.
 
“A questão toda é de investimento e a Claro renova sua aposta no Brasil com investimentos e inovação”, afirmou a empresa em nota enviada à imprensa na semana passada.
 
Banda larga

Paulo Bernardo falou ainda sobre a construção das redes de fibra ótica da Telebrás.

Segundo o ministro, as redes poderão ser usadas por todos que demandarem, mediante “preços módicos”.

“Tem gente falando que vai usar sem pagar, mas isso só se a empresa fosse comunista. Como vamos fazer o investimento e não cobrar por isso?”, afirmou o ministro.
 
Bernardo que o investimento para a construção da rede será de R$ 82 milhões para 2012. Até 2014, serão R$ 200 milhões.
 
A previsão do ministro das Comunicações é que a iniciativa privada invista R$ 70 bilhões em expansão da fibra ótica no país em quatro anos, R$ 20 bilhões dos quais produto de desonerações fiscais concedidas pelo governo.

* Maurício Renner cobriu o lançamento do Ypy em São Paulo a convite da Positivo.