Cabos da NET foram alvo de vandalismo no Jardim Botânico, ponto em Porto Alegre onde o roubo de cabos é comum

Tamanho da fonte: -A+A

Um novo rompimento de cabos na rede da NET deixou usuários de Porto Alegre sem os serviços da empresa – que opera TV por assinatura, internet e telefone, nessa terça-feira, 19.

A falhad durou da noite desta segunda, 18, até o início da tarde de hoje. Procurada pela reportagem do Baguete, a NET disse por meio da sua assessoria que ainda não sabia a extensão do problema.

Conforme a NET, o rompimento no cabo se deu na Rua Dr. Salvador França, na esquina com a rua Felizardo, no Bairro Jardim Botânico, próximo da PUC-RS.

Levantamento feito pelo Baguete Diário junto aos leitores indicou indisponibilidade nos bairros Cidade Baixa, Azenha, Bom Fim e Santa Cecília.

Um dos leitores, via Twitter, disse que a informação do atendimento da NET na parte da manhã era de indisponibilidade em toda a capital, com previsão de restabelecimento até o meio-dia.

A informação não foi confirmada oficialmente pela assessoria de imprensa.

Três vezes em sete dias
Esse foi o terceiro rompimento de cabos por vandalismo num período de sete dias.

No dia 13, quarta-feira passada, cerca de 11 bairros da capital gaúcha haviam ficado sem o serviço  devido a um problema que, segundo divulgado pela operadora, foi causado pela danificação de cabos por vândalos.

À ocasião, os serviços foram restabelecidos por volta das 7h30 da quinta-feira, dia 14. Na parte da tarde desse mesmo dia (quinta-feira), no entanto, a rede caiu novamente em alguns dos bairros atingidos anteriormente, como Jardim Botânico, Azenha e Santa Tereza.

Mais uma vez, a NET disse que a causa da queda foram atos de vandalismo. A rede foi restabelecida à noite, após as 21h.

Os furtos de fibra ótica teriam se dado na Salvador França, onde os cabos ficam nos postes, junto de outras fiações, mais suscetíveis à ação de vândalos ou criminosos (confira um mapa indicando o ponto dos últimos danos à rede abaixo).

Banda crítica
Uma reunião com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana (SMDHSU) e a NET foi realizada nessa terça-feira, 19. Ficou determinado que a administração pública auxiliaria no monitoramento da região, com rondas mais frequentes.

Segundo a 11ª Delegacia da Polícia Civil, localizada na Salvador França, são registradas de duas a três ocorrências por dia na região. Com base em dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, foram registrados, em média, 84,6 furtos – em geral, não apenas de cabos – por dia no primeiro trimestre de 2011, em Porto Alegre.

“Na verdade, esses cabos, depois de roubados, não servem pra nada”, explica o delegado Volnei Fagundes Marcelo, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio de Serviços Delegados, da Polícia Civil gaúcha, em Porto Alegre.

Marcelo explica que os cabos da fibra não valem nada no “mercado paralelo”, e provavelmente são furtados por engano, confundidos com cabos de telefonia.

Cabos de cobre, por exemplo, podem ser revendidos e reaproveitados, sendo um “negócio lucrativo”.

“Já a fibra sai muito caro para soldar”, diz o delegado.

Quando esquentada inadequadamente, a fibra ótica tem o mesmo comportamento do vidro, derretendo. O processo de reaproveitamento seria muito dispendioso, tanto que a substituição de um cabo rompido geralmente envolve a troca da infraestrutura de fibra de todo um trecho entre subestações.

Além disso, afirma Marcelo, o estado não tem notícia de um sistema de receptação de cabos de fibra ótica, sendo o material geralmente usado apenas por empresas que o obtêm legalmente.

No entanto, um esquema descoberto no Rio no ano passado arrecadava cerca de R$ 300 mil mensais com o furto de cabos de redes de telefonia na capital fluminense, numa ação com receptadores e funcionários das próprias redes e da segurança pública.

A NET trata as ocorrências como vandalismo.

Reforço na ronda
Sem dar lucro pra ninguém, os furtos só geram transtorno.

Na semana passada, os bairros atingidos foram Centro, Cidade Baixa, Santo Antônio, Jardim Botânico, Rio Branco, Azenha, Santana, Petrópolis, Santa Tereza, Praia de Belas e Menino Deus. A operadora não divulgou o número de atingidos, nem de assinantes na região.

Segundo dados do anuário estatístico da prefeitura porto-alegrense, juntos, esses bairros têm uma população de 250 mil pessoas.
Veja o mapa Furto de cabos da NET numa versão maior clicando no link em azul nessa frase.