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Operadoras de telecomunicação estão se articulando para convencer a Anatel a permitir a cobrança a mais de clientes que usam a internet de “forma abusiva”.

Segundo reportagem publicada nessa quinta-feira, 01, no jornal Folha de S. Paulo, as teles também querem cobrar uma “taxa” de companhias como Google, Microsoft, Apple e Facebook.

Tais empresas estariam na mira por lançarem produtos e serviços que fazem o tráfego de dados atingir níveis que podem levar as redes das prestadoras de serviços de telecom à saturação.

Tráfego gerido e investimento compartilhado
A proposta, relata a matéria, se resume à “gestão de tráfego” e ao compartilhamento de investimentos.

Para as teles, diz o jornal, não é justo que empresas cujo modelo de negócio se sustenta em acessos em suas redes faturem às suas custas sem colaborar com o desenvolvimento da infraestrutura do país.

Hoje, o Brasil não permite às operadoras cobrar a mais – tanto de consumidores "heavy users" (aqueles que passam o dia conectados baixando filmes, seriados e vídeos), quanto de empresas, lembra o jornal.

Anatel inflexível?
De acordo com a reportagem, as regras são discutidas na Anatel, que não pretende abrir exceções às regras atuais da prestação de serviço da banda larga.

Setor sob pressão
O momento é de pressão sob o setor. Recentemente, as operadoras de telecomunicações tiveram que se articular contra a proposta de percentuais mínimos nas velocidades dos acessos à internet, em consulta pública no Serviço de Comunicação Multimídia.

As empresas questionam o sistema de medição sob o qual devem ser cumpridos os critérios.

Pela proposta da Anatel, os acessos devem garantir, no mínimo, 20% da velocidade contratada, mas de forma que seja respeitada a velocidade média mensal de 60% daquilo que está previsto no contrato.

Coisa de índio
Mas mesmo que a Anatel aceitasse modificar a forma de medição das velocidades, as empresas ainda rejeitariam a imposição dos percentuais mínimos de garantia - que, pela proposta, começa em 60% e devem chegar em pelo menos 80% do que foi contratado dois anos após o início do novo regulamento.

Além disso, segundo o presidente do Sinditelebrasil, entidade representante do setor, as garantias de velocidade são “coisa rara no mundo”.

Estudo encomendado pelo sindicato diz que “só Índia e Malásia” adotam o sistema – ambos países com velocidade média, segundo relatório da Akamai, inferior à brasileira.

Leia a matéria completa da Folha de S. Paulo (para assinantes) nos links relacionados abaixo.