Que o Brasil é um destino interessante para empresas de TI indianas não é novidade: TCS, Wipro e Satyam já abriram por aqui, a HCL também, com subsidiária em São Paulo, e agora anuncia oficialmente a inauguração de um centro de desenvolvimento em São Leopoldo. A pergunta é: por quê?

Pois o presidente da HCL Americas, Shami Khorana, explica.

“A economia brasileira está pronta para se tornar uma das cinco maiores do mundo nos próximos 10 anos. O Brasil também passará a ser cerca de 40% do total da América Latina em serviços de TI, segundo o IDC”, ressalta ele. “Além de tudo isso, temos um histórico de investimento em mercados de crescimento futuro – há dez anos investimos na Irlanda e hoje somos um dos maiores empregadores da Irlanda do Norte”, complementa.

Tá explicado. Mas não para por aí: Khorana acredita que mais empresas indianas devam investir no país nos próximos anos, o que não será bom apenas para elas.

Segundo o presidente, as companhias brasileiras são muito focadas no mercado interno, com cerca de 90-95% das receitas provenientes daí, e a vinda de mais e mais concorrentes indianas irá ajudar na expansão do mercado, tornando-o forte em exportação.

“Essa expansão do mercado significa um bom negócio para ambas as sociedades”, avalia ele. “Isso também levará à colaboração entre brasileiros e indianos na TI”, argumenta.

O novo centro de São Leopoldo, que conforme Khorana se somará à unidade paulista na estratégia de transformar o Brasil em gateway para expansão da empresa em outros mercados latino-americanos, será focado em aplicações SAP, Oracle, desenvolvimento e manutenção de aplicativos personalizados, verificação e validação independente e serviços de engenharia.

Localizado no campus da Unisinos, o centro foi confirmado ainda em abril, quando fontes do governo gaúcho falaram ao Baguete sobre a chegada dos indianos.

Um mês depois, o presidente da HCL no país, Ideval Munhoz, revelou a previsão de investir, entre este e outros projetos, US$ 5 milhões por aqui dentro de seis meses.

A ideia da HCL é empregar três mil pessoas no Brasil em três anos. Mundialmente, a multinacional de faturamento na casa dos US$ 5,5 bilhões/ano emprega 59 mil colaboradores em 20 países.