Jorge Eugênio Braga, presidente da Embarcadero Brasil

A californiana Embarcadero, fornecedora de ferramentas para desenvolvimento como o Delphi, aposta as fichas no Brasil.

A companhia abriu recentemente uma subsidiária no país e não abre os percentuais de expansão projetados, mas o presidente da unidade, José Eugênio Braga, afirma: "acreditamos ser um mercado com potencial de crescimento maior do que a média mundial para nossos negócios".

Alguns números indicam o motivo da animação: só do Delphi, carro-chefe do portfólio da companhia, já são mais de 100 mil usuários no Brasil.

Isso sem falar nos parceiros certificados como Centros de Treinamento, que hoje são dez em locais como Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Recife, devendo triplicar até dezembro.

Faturamento direto
“Decidimos abrir no país pelo potencial do mercado, que aumenta ainda mais com a atuação local, já que ela elimina a bitributação – a própria Embarcadero passa a gerir o faturamento de revendas e usuários finais, tendo mais controle sobre todo o processo”, comenta Braga.

O executivo sabe bem do que está falando: por 12 anos, ele foi diretor de Vendas e Marketing da Borland Latin America, que atuava como distribuidora da Embarcadero no Brasil até a abertura da operação local e consequente encerramento da parceria.

Canais mantidos
Porém, se na distribuição as alianças estão encerradas, em venda indireta a companhia não quer deixar de investir no país.

Hoje, centenas de canais comercializam as soluções da empresa por aqui, e a meta é fortalecê-los, especialmente na área de plataforma para banco de dados, que hoje fica com cerca de 10% das vendas locais.

Presença antipirataria
Além de encerrar a bitributação, a abertura no país também ajuda na solução de um dos grandes problemas vividos pela indústria de software: a pirataria.

Conforme Braga, a existência de uma Embarcadero Brasil garante a proximidade necessária para o encaminhamento de denúncias de uso de software ilegal à companhia.

“Antes, não tínhamos isso. Hoje, recebemos denúncias com muito mais constância e, por termos a presença local, conseguimos ir até os usuários irregulares e apresentar propostas para que legalizem sua base de software, além de realizar ações em parceria com a Abes, o que certamente nos reverterá ganhos”, destaca o presidente.

Força no governo
Outro ganho da abertura local é a ampliação do potencial de negócios na área de governo.

Braga explica que, com a subsidiária, a Embarcadero passa a ser a única fornecedora de sua plataforma no país, o que isenta a companhia de participar de licitações, no caso de contratos nesta área.

Delphi
Em se tratando somente da plataforma vedete do portfólio da companhia – em todo o mundo, são cerca de três milhões de usuários em 80 países – também há novidades para o Brasil.

Neste mês, por exemplo, foram lançados materiais em português para treinamento na solução.

“Isso aumentou muito a procura por nossas capacitações e certificações no país”, garante Braga.

Aumento que impulsionou o Programa Global de Certificação em Delphi, também recém lançado por aqui, em duas modalidades.

Uma delas, o Delphi Certified Developer, exame que avalia os conhecimentos gerais dos desenvolvedores.

Outra, o Delphi Certified Master Developer, para avaliação de conhecimentos avançados da programação.

E, para breve, os clientes brasileiros podem esperar também novos lançamentos de sistemas da companhia, tanto na linha de programação quanto em banco de dados, segundo o presidente da subsidiária.

Por hora, já chegou ao país a nova versão da suíte de ferramentas de desenvolvimento da companhia - RAD Studio XE2 -, composta pelas novas versões do Delphi, C++Builder, Prism e RadPH.

Dentre as novas funções, a linha conta com suporte pleno do Delphi ao Windows 64 bits, suporte a Mac OSX e iOS, e desenvolvimento de aplicativos mobile e web para iOS e Android, com o o RadPHP XE2.

Outra inovação “de peso” no Delphi XE2 e no C++Builder XE2, segundo Braga, é o FireMonkey, primeira plataforma de aplicações nativa e capacitada por CPU e GPU, desenhada para a criação de softwares de negócio.

Traduzindo, com o FireMonkey os desenvolvedores Delphi e C++Builder  podem construir aplicações HD e 3D amparadas por bancos de dados diversos, como Oracle, Microsoft SQL Server, IBM DB2 e Sybase, entre outros deste porte.

As aplicações FireMonkey também permitem que os usuários do Delphi XE2 criem aplicações HD e 3D nativas para dispositivos móveis (iOS).

“Trata-se de uma versão histórica de nossas ferramentas de desenvolvimento, em termos de benefícios para o usuário”, finaliza Braga.

A empresa
Com sede em São Francisco, a Embarcadero mantém escritórios diretos em outros 29 países.

Com receita anual de aproximadamente US$100 milhões, a companhia emprega mais de
500 colaboradores diretos.

Já a carteira de corporações usuárias de suas soluções de desenvolvimento traz verticais das mais variadas, incluindo 90 das empresas listadas pelo ranking Fortune 100.