Jogo de guerra é o produto da parceria entre a empresa gaúcha e a Aeria Games

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A empresa porto-alegrense Aquiris tem chamado a atenção de publishers internacionais do mercado de games.

Aeria Games e Chillingo, multinacionais por trás de hits como Eden Eternal e Angry Birds, são os recentes contatos da companhia gaúcha, a mais importante da a área de games no Tecnopuc desde o fechamento da unidade local da Ubisoft, no ano passado.

Só o acordo com a Aeria, já firmado, deve incrementar em 40% o faturamento da empresa após o lançamento do Critical Mass, jogo com aceso gratuito ainda em desenvolvimento.

Esse é o primeiro contrato da Aquiris com empresas do gênero.

Até então, a companhia gaúcha trabalhava com trabalhos por demanda como advergames e outros produtos da área,  tendo clientes como Cartoon Network em sua carteira.

Multiplayer meio a meio
A Aeria é subsidiária da japonesa Aeria Inc., especializada em jogos online multiplayer que em maio do ano passado - o último número divulgado - tinha mais de 13 milhões de cadastrados em sua base.

No acordo com a Aquiris, as empresas mantêm 50% cada uma de participação no negócio. Os gaúchos entram com o desenvolvimento e a norte-americana, com a infraestrutura.

Segundo Maurício Longoni, um dos sócios da Aquiris, não há, ainda, uma data de lançamento para o game. A estreia, porém, deve ser nos Estados Unidos.

“Claro que, como brasileiros, tentaremos abri-lo aqui o mais rápido possível”, explica.

O Critial Mass (um FPS, ou first person shooter) coloca o jogador em cenários de guerra ao lado de outros gamers conectados ao mesmo servidor, diz Longoni.

O executivo prevê um consumo de banda entre 1 Mbps e 2 Mbps na versão que exige instalação de um módulo pelos usuários. No lançamento, o jogo rodará em Windows e Mac. Uma edição para browser também está prevista, sem uma projeção de consumo da internet.

“É um título mais hardcore, para gamers avançados, diferente de jogos casuais ou advergames, por exemplo”, ressalta Longoni.

Micropagamentos
Ao entrar no game, o jogador terá acesso a acessórios básicos. Para incrementar o personagem, o gamer terá que pagar entre US$ 1 e US$ 2 – via boleto, cartão de crédito, SMS ou sistema pré-pago, no Brasil.

Tempo e desempenho de jogo também contam para dar crédito.

Nos Estados Unidos, diz Longoni, os pagamentos devem incluir o PayPal: “é o meio (micropagamentos) pelo qual esperamos capitalizar o Critical Mass”.

O game também tem previsão de lançamento na Europa e na Ásia.

Chillingo top secret
Já no caso da Chillingo, Longoni faz segredo.

“É um jogo ainda em processo de desenvolvimento, por isso não podemos abrir muitos dados de contrato, plataforma ou detalhes mais técnicos”, destaca empresário.

Divisão da gigante Eletronic Arts – cujo faturamento foi de US$ 3,65 bilhões em 2010 –, a Chillingo não divulga resultados financeiros, mas exibe sem problemas os hits do catálogo.

Entre eles, Angry Birds, sucesso na plataforma do iPhone e no Android cuja desenvolvedora, a Rovio, contabiliza mais de 200 milhões de downloads e US$ 42 milhões levantados numa rodada de investimentos em março desse ano.

Como tudo começou
Ambos os publisheres bateram o olho na Aquiris pela participação em feiras como a Game Developper Conference, onde as empresas fizeram contato no ano passado.

Antes disso, porém, o estúdio porto-alegrense recebeu um bônus da Unity, desenvolvedora da engine que a Aquiris usa em seus games. Os gaúchos foram convidados pela Unity para fazer o demo oficial da versão 3.0 da ferramenta, o que acabou chamando a atenção de outras empresas.

“Desde o primeiro trailer, tivemos vários contatos, alguns concretos, outros não”, conta Longoni.

Entre os interessados está a Nvidia, que estuda contratar a Aquiris para desenvolver os vídeos técnicos de demonstração dos novos produtos da fabricante para o mercado de dispositivos móveis.

Fundada em 2005, a Aquiris conta hoje com uma equipe de 30 pessoas.