O Rio Grande do Sul vai ter que decidir se está disposto a acolher instituições que praticam “fordismo educacional” e “ensino de R$ 1,99”.

A polêmica afirmação, referente à entrada no mercado de educação superior gaúcho de empresas do eixo Rio-São Paulo, administradas em um modelo empresarial, foi feita pelo reitor da Unisinos, padre Marcelo Aquino, durante coletiva de imprensa na Federasul antes de sua palestra na reunião-almoço Tá na Mesa nesta quarta-feira, 01.

Para Aquino, as universidades de característica confessional ou comunitária – predominantes no Sul – devem criar um “clima de confiança” e articular iniciativas conjuntas para fortalecer sua posição.

O reitor citou como exemplo uma recente reunião envolvendo diversas instituições do estado (UCS, UPF. PUC-RS entre elas) buscando estabelecer uma iniciativa conjunta na área de educação à distância. Foi o primeiro encontro nesse sentido.

“Todos já usamos a plataforma Moodle. Podemos trabalhar no compartilhamento de laboratórios, por exemplo”, adianta Aquino. O MEC permite que até 20% do currículo seja oferecido à distância, o que é um fator a ser explorado, segundo o jesuíta.

No que tange especificamente à Unisinos, Aquino destacou o esforço de enxugamento de custos feito ao longo dos últimos anos e a iniciativa de começar a oferecer cursos em Porto Alegre. Na capital, a instituição já tem um centro ligado ao design e quatro MBAs tecnológicos.

Virada na TI
O reitor da Unisinos confirmou a troca do ERP da instituição, já adiantada pelo Baguete no final do ano passado em um furo de reportagem.

De acordo com Aquino, a Associação Antonio Vieira – nome civil da ordem jesuíta no Sul, onde administra três colégios além da universidade – decidiu adotar o software de gestão da RM Sistemas de forma global, como forma de centralizar a administração e gerar ganhos de escala.

Assim, sai de cena na Unisinos o ERP da Peoplesoft, operante desde maio de 2005. A solução foi tida como inadequada para o uso nos colégios, com estrutura mais simples que a universidade.

Aquino ressaltou que o investimento no software – anunciado na época em R$ 15 milhões – trouxe retorno na definição dos processos internos e aumento da agilidade administrativa da Unisinos.

SAP e Ford
O esforço em promover o Pólo de Tecnologia de São Leopoldo também foi frisado por Aquino, com destaque para a vinda da SAP, que atualmente constrói um centro mundial de serviços dentro da universidade.

“A sociedade gaúcha ainda não percebeu a importância da vinda da empresa. Vai ter o mesmo da permanência da Ford em Gauíba”, apontou o reitor da Unisinos.