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Resultado financeiro e executivos têm caído juntos na RIM.

Com prejuízo fiscal de US$ 125 milhões no quarto trimestre, a fabricante dos Blackberry viu vários membros do seu alto escalão pedirem demissão nessa semana, e planeja uma mudança estratégica.

Freada brusca
Segundo dados ajustados, o lucro líquido caiu a US$ 418 milhões, ou US$ 0,80 por ação, e a receita foi de US$ 4,19 bilhões no primeiro trimestre de Thorsten Heins como presidente-executivo da empresa.

Há um ano, a empresa lucrou de US$ 934 milhões, ou US$ 1,78 por ação, e a receita foi de US$ 5,56 bilhões.

Analistas, em média, esperavam que a RIM lucrasse US$ 0,81 por ação e tivesse receita de US$ 4,54 bilhões, de acordo com o Thomson Reuters I/B/E/S. A empresa embarcou 11,1 milhões de BlackBerrys e mais de 500 mil PlayBooks nos três meses até 3 de março.

Debandada
No rastro dos números em baixa os diretores da empresa também saem.

Em janeiro, foi a vez dos CEOs Jim Balsillie e Mike Lazaridis. Agora, David Yach, diretor de tecnologia com 13 anos de casa, e Jim Rowan, diretor de operações, saírem da empresa.

Apesar do cenário nada alentador, o atual diretor executivo da RIM, Thorsten Heins, diz que uma “baixa”, ou venda, da empresa, não está nos planos. No entanto, alguma coisa, reconhece Heins, terá que acontecer.

“É bem claro que a RIM precisa de mudanças substanciais”, declarou.

Na verdade, Heins promete uma volta às raízes. No caso da RIM, ao mercado corporativo. O executivo reconhece que a RIM “não pode ser todas as coisas ao mesmo tempo”.

Ou seja, não dá pra querer ser iPhone e Blackberry: “por isso nossa intenção é focar no que somos mais fortes”, disse Heins ao Financial Times.

Recentemente, a empresa apresentou aplicativos da SAP customizados ao tablet da marca, o Playbook. Desenvolvidos pela própria SAP, os apps são uma amostra do que pode ser feito por outras companhias que já dão acesso a dados nos Blackberry.

Segundo dados do instituto Gartner, foram 51,5 milhões de Blackberries vendidos no ano passado, contra 89,2 milhões de iPhones.

A RIM passou de 3,1% de mercado, em 2010, para 2,9%, em 2011, além de cair da quarta para a sexta posição no ranking das maiores fabricantes de smartpones.

Por enquanto, o Playbook ainda não figura nos relatórios de mercado, mas é visto por especialistas como uma alternativa ao iPad e ao ecossistema Android.