O mercado financeiro elevou a previsão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011, conforme a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central.

A expectativa para a inflação neste ano subiu de 5,42% para 5,53%, o que se distancia ainda mais da meta pré-estipulada pelo BC, que era de 4,50% para o ano.

A projeção também subiu para 2012, quando os especialistas acreditam que a inflação deverá subir não mais 4,50%, mas 4,54%.

No caso da inflação de curto prazo, o mercado elevou de 0,66% para 0,72% a previsão para o IPCA de janeiro de 2011. Para fevereiro, a taxa passou de 0,72% para 0,77%.

A previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 foi mantida em 4,50%.

Em relação ao PIB, porém, os analistas preveem que, para cumprir a promessa de fazer um superávit primário de 3,1% do índice, a presidente Dilma Roussef terá de economizar cerca de R$ 60 bilhões, valor superior às apostas do mercado financeiro, que não passam de R$ 50 bilhões.

As metas de contingenciamento do novo governo ainda não foram divulgadas, mas o sugerido por especialistas ouvidos pelo Estadão é que a presidente reforce uma política fiscal menos expansionista, o que ajudaria a esfriar a economia e permitiria que o BC subisse menos os juros básicos (Selic).

Com relação a juros e dólar, a pesquisa Focus mantém a previsão para a Selic até o fim de 2011 em 12,25%/ano. Hoje, o índice é de 11,25%/ ano.

Já para o mercado de câmbio, os analistas preveem que o dólar encerre 2011 em R$ 1,75, mesmo patamar da pesquisa anterior, e, em para o fim de 2012, a previsão é de R$ 1,80.

Repeteco do pré-crise?
Os analistas ouvidos pelo Estadão também indicaram que, neste início de 2011, há um “quê” de 2008 no ar, ou seja, um cenário semelhante ao momento que precedeu a explosão da crise econômica mundial de 2009.

Conforme os especialistas, hoje a economia mundial se mostra atingindo um grau de aquecimento máximo, com as commodities e os alimentos em alta e diversos países emergentes - até mesmo um ou outro rico – em briga com a inflação.

Tudo exatamente como há três anos, segundo os analistas.

A análise se baseia, por exemplo, no índice CRB, que mede o preço das commodities no mercado global e atingiu 518,7 pontos em dezembro, superando o pico de 476,7 de junho de 2008.

Também como em 2007 e 2008, distúrbios populares contra a alta dos alimentos pipocam em países como Tunísia, Argélia, Jordânia, Egito, Líbia, Moçambique, Marrocos e Chile e, em pelo menos uma dúzia deles, os governos já tomam medidas para baratear a comida.

Os bancos centrais também são tema da análise, que afirma que estas instituições estão agindo com altas de taxas básicas de juros, típico dos períodos pós-cris, o que já foi acionado no Brasil, Chile, Peru, Suécia, Austrália e China, entre outros.

Além disso, os especialistas indicam uma onda de utilização dos chamados instrumentos "macroprudenciais" para auxiliar no controle da inflação, como no Brasil, que aumentou compulsórios e requerimento de capital em operações de crédito, o que contribuiria para o desenho de um repetitivo cenário de pré-crise.