Simone Leite vai dirigir a empresa responsável pelo PCI

Canoas, cidade com o segundo maior PIB do Rio Grande do Sul, quer marcar presença em pesquisa e desenvolvimento.

Em abril deste ano, o Parque Canoas de Inovação (PCI) começa a ganhar forma, com a entrega do projeto arquitetônico de um centro multissetorial que será instalado numa área de 500 hectares – o equivalente a 500 campos de futebol – no município.

No entanto, apesar do marco em abril, a futura presidente da Canoas S. A., empresa criada para gerenciar o empreendimento, Simone Leite, não estipula prazo para início das obras.

O valor necessário para a construção do parque, que será obtido junto a investidores, também não foi revelado.

Canoas S.A. administra
Em paralelo ao planejamento da área, a equipe dá sequência ao plano de negócios do PCI, que envolve a criação da empresa administradora, a Canoas S. A, que contará com participação do poder público e outros investidores.

“Depois disso partiremos em busca de parceiros”, completa Simone. A ideia é formar várias parcerias, mas Simone não descarta ter um investidor âncora no projeto.

O que entrará no parque
Alguns dos setores alvo para o PCI são energia, biotecnologia, aeroespacial e novas tecnologias, áreas que se valem de empreendimentos já presentes na cidade, como a Refap, Springer Carrier e AGCO do Brasil.

Da área total, metade será destinada à reserva ambiental.

No restante, será construído um parque multissetorial, dividido entre as áreas tecnológica, científica, social e econômica e um distrito empresarial.

Um presídio de 3 mil vagas também está previsto, ocupando 50 hectares do terreno.

Localização “privilegiada”
Os 500 hectares onde o PCI será instalado ficam na Fazenda Guajuviras, na BR-116, ao lado do bairro Guajuviras. Uma olhada nos índices de criminalidade da área podem assustar.

Com 65 mil habitantes, a região é vista como uma das mais violentas da Grande Porto Alegre. Dos 127 homicídios registrados em Canoas em 2009, 50 ocorreram no bairro, sendo 80% deles com arma de fogo. Para Simone, isso não será problema.

“Na verdade esses índices já estão melhores desde que foram instalados sistemas de monitoramento com câmeras e também de detecção de disparos pelo som”, explica.

Somente no Shotspotter (detecção de tiros pelo som) foram gastos R$ 3,5 milhões para cobrir uma área de 3,3 km2 do bairro canoense. A região chegou a ficar 55 dias sem homicídios por arma de fogo, de novembro de 2010 ao início de janeiro desse ano.

Segundo a prefeitura, as reduções em ocorrências na região já foram de 33% (homicídios), 35% (roubos de veículos) e 28% (furtos de veículos).

Garantias de segurança
Além disso, ressalta Simone, o parque terá acessos pela BR-116 e pela RS-010, também chamada de Rodovia do Progresso, que passará pelo meio das instalações quando construída.

Ou seja, o acesso via Guajuviras não é obrigatório.

Para quem se assusta com o presídio, Simone argumenta: “não se tratam de presos de alta periculosidade, mas de pessoas do semiaberto”, e as empresas que usarem mão de obra da instalação correcional também receberão isenção de parte do ICMS.

“A área será instalada lá para beneficiar a região. Todas as precauções de segurança estão sendo adotadas, de acordo com o porte de um centro dedicado à inovação”, enfatiza Simone.

Em outra área, localizada no bairro Niterói, na BR-290, uma plataforma logística ocupará 100 hectares, fazendo divisa com a Base Aérea, Rio Gravataí e Cachoeirinha.

“Canoas é cada vez mais vista como uma parte importante para a logística do estado e do país”, diz Simone, que também coordenará essa parte do empreendimento.

Tem espaço para a TI?
O foco, diz Simone, é trazer empresas que agreguem valor às atividades já presentes na cidade. Assim, empresas que desenvolvam tecnologias ligadas aos setores de biotecnologia, aeroespacial e logística, por exemplo, são bem-vindas.

Além dessas, empreendimentos que não tenham encontrado espaço em outros parques tecnológicos, como o Tecnosinos ou o Tecnopuc, localizados, respectivamente, em São Leopoldo e Porto Alegre.

Simone, no entanto, faz um alerta:

“Nosso objetivo não é fazer concorrência, mas sim complementar para que as demandas do estado sejam todas atendidas. Hoje existe uma espécie de leilão que não é saudável para o estado. É preciso trabalhar num ambiente que favoreça a todos”.