Gonzaga num dos projetos em Stanford. Foto: Divulgação

A Unisinos foi para a sala de aula na universidade de Stanford.

A instituição gaúcha foi, junto com Universidade Federal de Pernambuco e Unicamp, uma das três universidades brasileiras presentes no Entrepreneurship Bootcamp (E-Bootcamp), evento realizado no último final de semana nos Estados Unidos, com foco no preparo para o empreendedorismo.
 
Essa foi a primeira vez que instituições de ensino do Brasil estiveram no encontro, que incluiu investidores e apresentações de CEOs e fundadores de empresas como Tesla, PayPal e Sun.
 
Foco nos negócios
Pela Unisinos, foram o professor Luiz Gonzaga da Silveira Junior, do PPG em Computação Aplicada da universidade, e o aluno Fabrício Müller, do mestrado em Computação Aplicada.
 
A dupla fez parte de uma comitiva de 10 universidades latino-americanas convidadas da Intel.
 
“Valeu muito a pena. Foi algo totalmente diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil. Apendemos a buscar investidores lá”, disse Silveira.
 
Entre as principais lições apontadas pelo professor está o foco no negócio.
 
O trabalho apresentado é uma parceria com o PPG em Geologia que usa visualização e computação gráfica para resolver problemas e criar soluções aplicadas às pesquisas relacionadas ao processo de extração de petróleo. 
 
“Nós tínhamos um pitch (apresentação) mais voltado para os aspectos técnicos. Ao longo do evento, das palestras e dos workshops, fomos mudando a nossa concepção, focando no business”, relembra. “Isso não é o nosso costume no Brasil”, desabafou Silveira.
 
O resultado foi que o projeto apresentado da V3D, empresa de P&D de soluções em análise de imagem e visualização 3D incubada no Tecnosinos, chamou a atenção de investidores, entre eles o sócio de um dos cofundadores da Attari.
 
Tava na hora
O timming para esse tipo de aprendizado é o ideal. 
 
Estimativa da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital indica que o Brasil deverá experimentar um crescimento de 20% nesse tipo de aporte para negócios em 2012. 
 
Somente o BNDES investirá R$ 1 bilhão até 2014 em venture capital. Nos cálculos do banco, o valor deve chegar a R$ 5 bilhões com os aportes do mercado.
 
Além disso, segundo cálculos da Associação Brasileira de Startups (ABS), o Brasil tem 3,5 mil investidores anjo, atualmente. Nesse contexto, quanto mais focados em negócios, melhor para os empreendedores.
 
“Um dos principais objetivos da iniciativa é fazer com que esses jovens tenham a experiência e visão de negócios necessária para aprimorarem seus projetos”, avalia Rubem Saldanha, gerente de Educação da Intel.