Zanatta

Começam em abril as obras do Parque Científico e Tecnológico UPF Planalto Médio.

Mais recente projeto no estado a ganhar recursos, o parque tem aporte de R$ 4,9 milhões a fundo perdido, oriundo dos governos do estado (R$ 924,6 mil pelo PGtec) e federal (R$ 3,7 milhões do Ministério de Ciência e Tecnologia). A UPF entra com R$ 316 mil de contrapartida.

O projeto começa a sair do papel com um prédio de 700 metros quadrados – numa área de 10 hectares –, cujo custo é estimado em R$ 1,2 milhões, coberto pelo PGtec e pela UPF.

Depois, as salas serão equipadas com a verba do governo federal.

“Todo esse investimento visa ajudar a mudar a matriz produtiva da região, com foco na TI e na inovação”, resume o professor Alexandre Zanatta, gestor do projeto dentro da UPF.

Ancorada na saúde
Segundo Zanatta, áreas como saúde, metalmecânica e biotecnologia devem se somar à agrícola no escopo de setores que o parque pretende atrair para o Planalto Médio, reforçando as competências tecnológicas locais.

“Nossa meta é ser o braço da tecnologia na região, sem competir diretamente com outros parques que existem no Rio Grande do Sul”, garante Zanatta.

Inicialmente, uma grande empresa de TI focada na área da saúde, que o professor prefere não revelar, vai ancorar o parque da UPF.

Um bom palpite seria a MV Sistemas, empresa de sistemas de gestão para a área de saúde fundada em Passo Fundo que faturou R$ 84 milhões em 2010 e tem 10 unidades espalhadas pelo Brasil.

Além da saúde, Zanatta aposta no fortalecimento do setor metalmecânico, especialmente depois do investimento de R$ 70 milhões da Manitowoc, anunciado em janeiro do ano passado.

“Algumas companhias da área já mostraram interesse no parque”, complementa o gestor.

Migrando a PoloSul.org
Outras cinco empresas de TI, todas da área de software, devem se transferir para o parque já no seu começo. Hoje, elas estão incubadas numa área da associação PoloSul.org, também em Passo Fundo.

“Ainda estamos fechando os detalhes de para onde vamos porque também temos recursos para ampliar nossa unidade atual”, diz Jaqson Dalbosco, responsável na UPF pela incubadora do PoloSul.org.

A tendência, reconhece Dalbosco, é que as empresas se transfiram. O espaço hoje cedido pela prefeitura para a associação custa R$ 2 mil ao mês para ser mantido e, recebe, no máximo, sete empresas por dois a três anos.

“Cada vez que elas crescem dentro desse espaço de tempo, tudo tem que ser readequado”, reclama.

Reforço na incubadora
Junto com as empresas, pode vir mais infraestrutura para o parque.

Recentemente, a PoloSul recebeu R$ 265 mil de um edital do governo para compra de servidores de alto desempenho e tablets e smartphones para diversificar os projetos dentro da incubadora.

“Estamos bastante atentos às tendências de cloud computing e mobilidade. Queremos dar condições aos incubados de operar dentro de uma estrutura adequada às novas tecnologias”, comenta Dalbosco.

Caso a PoloSul entre no parque, a infraestrutura pode acabar indo junto. “Mas ainda estamos vendo o que é melhor estrategicamente”, reforça Dalbosco.

Inovação com o P&D alheio
Além de ganhar espaço, a ida para o parque, mais próximo da UPF, ajudaria em outra estratégia da incubadora: fazer a ponte entre indústria e empresas de TI.

“Muitas vezes as empresas não têm quem faça pesquisa. Por isso queremos dar condições às empresas de ter P&D sem uma estrutura própria, usando os recursos da própria universidade”, diz o professor Willingthon Pavan, pesquisador da UPF que também trabalha na PoloSul.

Ainda tem muito espaço
Inicialmente, o parque ocupará menos de 1% do total de 10 hectares cedida para a construção do parque. O parque é um dos maiores do estado em extensão.

O Tecnopuc tem 5,4 hectares de área. Já o Tecnosinos tem 14,4 hectares.

Planos de expansão na UPF, no entanto, já estão em andamento, mas nada para esse ano: “Em 2012, queremos consolidar o parque”, enfatiza Zanatta.

Com população estimada em 186.028 habitantes, Passo Fundo tem PIB per capita de R$ 19,8 mil, e o 10º maior PIB do Rio Grande do Sul, segundo dados da Fundação de Economia e Estatística gaúcha – dados de 2009.