Vinicius Costa

Nokia é Windows.

Esse é o recado que a empresa está passando nos road shows de demonstração de aparelhos, realizados pelo Brasil nesse trimestre.

Na passagem por Porto Alegre, nessa terça-feira, 18, a empresa deixou claro que os aparelhos de ponta virão, a partir do final do ano, equipados com o sistema operacional da parceira, com quem a finlandesa estreitou laços em fevereiro desse ano.

Terceira via
“Vamos ter uma postura bastante diferenciada em relação a outros parceiros (da Microsoft). Queremos ser o terceiro ecossistema na mobilidade”, declarou Vinicius Costa, gerente de produtos da empresa.

A “terceira via” seria uma alternativa ao Android, do Google, e o iOS, da Apple, atualmente primeiro e terceiro em market share entre as plataformas móveis, respectivamente com 43,4% e 18,2% de fatia, segundo o Gartner.

O Symbian, clássico sistema da Nokia, tem 22,1% de participação, quase metade do registrado no ano passado.

“Queremos ser agressivos no mercado. Não em termos de preço, mas em experiência para o usuário”, completa Costa.

Windows na ponta
Na nova estratégia, o Windows será o sistema oficial dos celulares high end, modelos que custarão mais caro e trarão os desenvolvimentos tecnológicos mais recentes.

Em segundo, o Symbian, uma plataforma que terá suporte até 2016, e será mantida em smartphones, porém com custo menor, e um pequeno delay de inovação.

“Sempre trabalhamos assim, com as novidades na ponta, se estendendo para toda a linha”, ressalta Glauco Tâmega.

Os dotes do casamento
A parceria, anunciada no início do ano pelo novo CEO da Nokia, Stephen Elop, ex-funcionário Microsoft, une a maior fabricante de celulares à menor plataforma móvel do mercado – o Windows tem 1,6% de share, atrás do Bada, da Samsung.

A Microsoft se vale da presença internacional da Nokia, do suporte a traduções para diversos mercados, e da experiência da empresa em oferecer aparelhos com múltiplas funcionalidades e um foco forte na personalização de acordo com o mercado alvo.

Já a Nokia...

“Temos um parceiro forte para a criar uma alternativa, com certeza”, destaca Costa.

Segundo o gerente, antes dos primeiros previews, apenas com o anúncio, analistas diziam que o Windows seria a primeira plataforma móvel em 2017. Lançados os previews, as previsões mudaram para 2015. Anunciada a parceria, a data foi para 2013.

“Já estamos com sinais positivos a partir de analistas de mercado. Na verdade, a Nokia deve incentivar a adesão de outras empresas na parceria com a Microsoft, fortalecendo todo o ecossistema”, finaliza Costa.

Symbian continua
Apesar do casamento com a Microsoft, a Nokia garante que não esquecerá as crias da casa, especialmente o Symbian.

“Vamos continuar trabalhando nesse sistema operacional, e lançando atualizações que o atenderão ao nosso cliente. O Symbian continua evoluindo dentro da Nokia”, promete.

Uma das apresentações, ainda em protótipo, foi de modelos com o Symbian Anna e o Belle, com interface mais próxima dos smartphones modernos, tecnologia swipe (deslize), tela sensível ao toque e maior integração com ferramentas da Microsoft como o Mail For Exchange e sistemas de comunicação.

Reação urgente
Desde a chegada o iPhone a Nokia tem perdido espaço no mercado de celulares.

Em levantamento divulgado pela Interbrand no início de outubro, a Nokia foi apontada como a marca de tecnologia que mais perdeu valor, com retração~de 15%, entre as 100 marcas mais valiosas do mundo.

No segundo trimestre, a empresa registou prejuízo de € 492 milhões, com 16,7 milhões de smartphones vendidos, contra 20,3 milhões de unidades de iPhones – um dos alvos da parceria com a Microsoft.