A crise europeia pode começar a afetar as exportações brasileiras para o continente dentro de 30 a 60 dias, acredita o ministro interino do Desenvolvimento, Welber Barral.

Para o ministro, o efeito da crise é sobre a confiabilidade de negócios e de garantias. No entanto, por ainda estar centrada em poucos países europeus, os principais mercados que importam do Brasil - como Alemanha e Holanda - não foram diretamente afetados.

As vendas brasileiras para o exterior continuam atingidas também pela crise americana. O ministro acredita que o Brasil não conseguiu acompanhar a recuperação econômica dos EUA, segundo informaçãoes do Valor Econômico.

"A manutenção dos níveis de exportação para os Estados Unidos é preocupante porque, afinal de contas, eles tiveram uma recuperação nesse último ano e nós não conseguimos aumentar o market share para produtos manufaturados", afirma Barral.

Segundo ele, a abertura dos mercados internacionais para o Brasil pode passar pela criação de acordos de livre comércio. No entanto, a dificuldade de negociar contratos externos passa pelo receio de países desenvolvidos em relação à agricultura brasileira e de países em desenvolvimento em relação à indústria nacional.

A reforma tributária deveria ser a primeira medida na agenda do governo que será eleito no final do ano, na opinião de Barral. O ICMS, por exemplo, foi considerado um grande entrave à exportação. Ele acredita que mudanças no sistema tributário são difíceis, mas urgentes.