A Câmara dos Deputados aprovou um reajuste de 6,8% para o salário mínimo nesta quarta-feira, 16, aumentando o valor para R$ 545.

A proposta da oposição de elevar o valor em 9,8%, para R$ 560, foi derrotada por 361 votos a 120.

O reajuste de 17% para R$ 600, proposto pelo PSDB, foi rechaçado por 376 parlamentares e apoiado por 106. Sete se abstiveram.

A discussão novo valor do mínimo, que ainda precisa passar pelo Senado, foi considerado por analistas políticos como o “batismo de fogo” da presidente Dilma Rousseff.

Buscando enquadrar a base governista, Dilma ameaçou com  cortes nas nomeações para o segundo escalão e até de demissão de um ministro do Trabalho, Carlos Lupi, caso o PDT votasse em bloco a favor dos R$ 560.

A liberação de emendas no mês de fevereiro também foi outra arma usada pelo Executivo.

Segundo informações do Estadão, a presidente estava segura da vitória e deixou o Planalto às 23h,  antes mesmo de encerrada a votação na Câmara.

O reajuste em vias de ser aprovado é o primeiro desde 1990 a não agregar ganho real ao mínimo, cobrindo somente a desvalorização devida à inflação.

Segundo dados do site do Ministério da Fazenda, a série de ganhos reais no mínimo começou em 1990. No período dos governos de Fernando Collor e Itamar Franco, de 1990 a 1994, o ganho ficou em 10,8%.

Entre 1994 e 1999, parte do governo Fernando Henrique, os dados da Fazenda apontam alta real de  28,3%.

Nos oito anos de governo Lula, segundo dados do Estadão, o ganho real ficou em 60%.

Para calcular o reajuste, a fórmula do governo Dilma usa o crescimento do PIB de dois anos anteriores, somado com a inflação pelo IIPCA do último ano.

O governo alega, porém, que como não houve crescimento em 2009, devido à crise mundial, o valor deste ano apenas seria corrigido pela inflação.

Conforme divulgado pela base de Dilma, se o cálculo for mantido, o mínimo em 2012 chegará a R$ 616, além de ter um aumento real de 30% nos próximos cinco anos.

Troca troca
A posição do governo pelo menor aumento do mínimo causou uma situação inusitada na Câmara, relata o Estadão.

Parlamentares de tradição na esquerda, como Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, ex-presidente da CUT, e Luci Choinacki (PT-SC) foram vaiados; deputados acostumados a vaias de representantes dos trabalhadores, como Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Pauderney Avelino (DEM-AM), foram aplaudidos pelos sindicalistas que estavam nas galerias.