A Federasul prepara uma campanha em prol de mais simplicidade e transparência no sistema tributário brasileiro para 2012. 

 
A revelação foi feita pelo presidente da entidade, José Paulo Cairoli, no balanço de final de ano da entidade, nesta sexta-feira, 16.
 
“Houve um tempo em que a sociedade entendia que quem pagava o imposto era o empreendedor. Isso não é mais assim”, disse Cairoli, destacando que o plano é divulgar o impacto da alta carga tributária na vida cotidiana da população. “Precisamos dizer que a conta da luz é 52% imposto, que os produtos nos Estados Unidos custam um terço do que no Brasil”, apontou.
 
Apesar de reconhecer que a presidente Dilma Rousseff tem mostrado “reconhecimento que a carga tributária é insuportável” e que já tomou medidas concretas sobre o assunto, no caso do novo Super Simples, Cairoli não poupou críticas ao modelo atual.
 
“Temos 47 impostos federais, muitos destinados a áreas específicas, como o caso da CPMF. Porque não pode haver cinco e o governo distribuir a verba? Não existe gestão pública?”, cutucou o presidente da Federasul.
 
As cifras
Nesta semana, a arrecadação de impostos federais, estaduais e municipais pagos pelos brasileiros desde 1º de janeiro deste ano chegou a R$ 1,4 trilhão, de acordo com a ACSP (Associação Comercial de São Paulo).
 
A conta dá, aproximadamente, R$ 7.290 pagos por cada brasileiro aos governos estadual, municipal e federal.
 
Em 2010, o painel contabilizou R$ 1,2 trilhão de impostos, tributos e outras contribuições recolhidos pelas três esferas de governo. A previsão é de que o painel chegue a R$ 1,5 trilhão em impostos recolhidos no fim de dezembro. 
 
Carreira política
Cairoli, à frente da entidade desde 2008, deixará a presidência da Federasul em abril de 2012, quando deve ser substituído por Ricardo Russowsky.
 
O executivo, que fez carreira no Grupo Ipiranga e chegou a presidir o BRDE entre 1992 e 1995, durante o governo Alceu Collares (PDT-RS), já foi assediado publicamente pelo presidente do PSD,  Gilberto Kassab, para ingressar nos quadros do partido.
 
O presidente da Federasul, não disse nem que sim nem que não a Kassab, e durante a conversa com jornalistas deu a entender a que não deve ingressar numa carreira política partidária, ao contrário do seu antecessor, Paulo Afonso Feijó, que teve uma conturbada passagem como vice de Yeda Crusius (PSDB-RS) e hoje sumiu do cenário.
 
“Essa coisa de partido... É preciso saber que ideologia ele representa”, se limitou a dizer Cairoli, o que frente à definição de Kassab de que o PSD não era um partido “nem de esquerda, nem de direita nem de centro”, parece fechar as portas.