O presidente da Siemens no Brasil, Adilson Primo, acaba de ser afastado do cargo.

Segundo o jornal Valor Econômico, a companhia alemã informou que, por meio de uma investigação  interna, foi descoberta uma grave contravenção das diretivas da Siemens na sede nacional, ocorrida antes de 2007.

Não foi detalhada qual foi a contravenção.

A empresa afirma que essa medida “é decorrência de seu princípio de tolerância zero para casos de contravenção de compliance”.

Primo estava desde 1976 na Siemens e desde 2001 na presidência.

Quem assume a presidência é Paulo Stark.

Engenheiro eletricista, Stark exerceu diversos cargos na companhia, no Brasil e em países como México e Alemanha, e ocupava recentemente a unidade de negócios industriais.

Ele assume uma estrutura com receita de cerca de € 1,8 bilhão, em 2010, carteira de pedidos de € 2,1 bilhões, 13 fábricas, sete centros de pesquisa e mais de 10 mil funcionários.

Nos anos de 2006 e 2007, a Siemens enfrentou um escândalo mundial por pagamento de propina para a obtenção de contrato em diversos países.

 

Caso da Cisco
Ainda não está clara qual é a dimensão da “contravenção de compliance” que causou a demissão de Adilson Primo.
 
O último grande caso a abalar executivos de alta posição no meio de tecnologia brasileiro foi um esquema para sonegar R$ 1,5 bilhão em impostos comandado pela Mude, então distribuidora da Cisco no país, em 2007. 
 
Na ocasião, o então presidente da multinacional no país, Pedro Ripper, chegou a ser detido pela Polícia Federal, junto com Carlos Roberto Carnevali, fundador da Cisco no Brasil e ex-VP para América Latina e Caribe e outras 40 pessoas.
 
Ripper não foi acusado de nenhum crime. Carnevali foi absolvido em primeira instância da acusação de ser um sócio oculto da Mude em fevereiro de 2011.
 
No mesmo processo, foram condenados a cinco anos e dois meses de prisão Fernando Machado Grecco, ex-diretor de marketing da Mude,  Marcelo Naoki Ikeda, ex- diretor comercial da Mude e Moacyr Alvaro Sampaio, um dos principais dirigentes da empresa.