Com três anos de atuação no setor de integração de empresas mobile com operadoras de celular, a gaúcha Pure Bros passou da terceira para primeira posição no mercado, aumentou de 10 para 100 o número de colaboradores e cresceu 10 vezes de tamanho.

Os resultados se devem em grande parte à adoção em 2009 de práticas de governança corporativa, tidas como assunto exclusivo de organizações muito maiores. O case foi tema de um evento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, em Porto Alegre nesta quinta-feira, 08.

“O mercado estourou de forma surpreendente e nosso maior problema foi dar conta deste crescimento”, explica o sócio-fundador da empresa, Rodrigo Leal. “Tivemos que aprender rápido, e com a governança conseguimos nos estruturar com maior agilidade”, completa.

A Pure Bros contratou um CEO e implantou comitês de auditoria e um conselho de administração presidido por Jairo Gudis, co-fundador do capítulo Sul do IBGC e executivo com passagens por cargos de diretoria da Brasil, Diana Textil, Telcon, Marsicano, Banco Iochpe, Price Waterhouse e Iochpe Maxion, entre outras.

Entre os principais benefícios das mudanças produzidas pelas medidas, Leal aponta a duplicação do crescimento em 2009, profissionalização, liderança, acesso às fontes de capital e conquista da confiança do mercado.

“Já foram feitas propostas de aquisição da Pure Bros por empresas estrangeiras e não estávamos preparados, no sentido de plano de negócio. Seria loucura negociarmos em tais condições”, lembra Leal. “Foi um alerta. Hoje estamos estruturados, só dependeria de analisar a oferta com os demais sócios”, acredita.

Com expectativas de novamente duplicar o crescimento em 2010, a estratégia da Pure Bros, que possui escritório em Porto Alegre, além de unidades em São Paulo, Rio Roma e Cidade do México, agora é consolidar-se mundialmente como referência no setor.

“Estamos atuando de forma isolada, o que gera certo desconforto entre as operadoras, e sabemos de empresas internacionais sondando o mercado brasileiro. Daí a importância de fortificar a marca. Sabemos que não seremos os únicos a atuar por muito tempo”, analisa Leal.

De acordo com o executivo, caso integradoras estrangeiras venham a atuar no país, o processo de conexão e estabelecimento de contrato com as operadoras de telefonia levaria cerca de um ano, o que justifica o foco da Pure Bros em solidificar sua posição e mostrar segurança no segmento.

Atualmente a companhia gaúcha contabiliza 50 parceiros, mais de 200 integrações realizadas em três anos de operação e cerca de 10 milhões de transações por dia, além de 10 operadoras conectadas em três países.

Entre os cases do portfólio da companhia, figuram projetos para a Leo Mobile, marca do portal mobile do grupo One World Wide e Grupo Bandeirantes.

Exemplo típico do trabalho da Pure Bros está o realizado para a UOL/Fiat, cujo objetivo foi implementar um serviço gratuito de alertas SMS com informações sobre os Jogos Olímpicos de Pequim.

Governança corporativa: um árduo processo
O próximo passo da Pure Bros agora é trabalhar na evolução do modelo inicial adotado. “A governança é um processo demorado e trabalhoso, a ajuda externa é fundamental e cada empresa deve adaptar o modelo conforme sua necessidade. No nosso caso, por exemplo, a contratação do CEO não foi uma boa alternativa”, revela Leal.

Segundo o executivo, estatisticamente a contratação de um CEO tem uma taxa de insucesso muito grande no primeiro ano. “No nosso caso não foi diferente. Tanto que o profissional acabou saindo e optamos pela criação de duas diretorias: uma de operações e outra de finanças. O modelo centralizado efetivamente não funcionou”, complementa.

Por outro lado, Leal destaca a importância da criação do comitê de garantia de receitas, o que possibilitou avaliar onde estavam concentrados os principais vazamentos de recursos.

“A governança corporativa possui elementos chave para as empresas que pretendem atuar no país nos próximos seis anos. É o momento também de atentar que muitos investidores já avaliam que a Europa não está mais valendo à pena e estão direcionando os recursos para o Brasil”, conclui o empresário.