A presidente Dilma Rousseff aproveitou seu discurso na abertura da Cebit 2012 em Hannover, nesta segunda-feira, 05, para enfatizar as realizações e os investimentos brasileiros em TIC.

Dilma cobriu basicamente todos os pontos possíveis, começando pelo consumo crescente em consumo  de eletrônicos, banda larga e TV por assinatura, passando pela digitalização das eleições e o nível de desenvolvimento do e-banking até a ênfase do governo em software livre e o sistema de interatividade da TV digital 100% nacional.

A presidente também frisou investimentos na infra de telecomunicações, destacando a licitação do 4G prevista para maio e a instalação de cabos de fibra óptica conectando o país aos Estados Unidos, Europa e África.

“É um país de oportunidades para homens de negócio, com crescimento estável e um ambiente de negócios favorável”, garantiu Dilma.

Se o discurso de abertura ficou dentro da linha mestre da participação do Brasil como país parceiro da Cebit, reforçando a ideia de um gigante adormecido na área de tecnologia, a conversa marcada para esta terça-feira, 06, com a chanceler alemã Angela Merkel traz temas mais espinhosos na agenda.

Em conversa com jornalistas brasileiros logo após o almoço, Dilma criticou o "tsunami monetário" causado pelas medidas anticrise dos países desenvolvidos, que estaria desvalorizando artificalmente moedas como o euro e retirando competitividade das exportações brasileiras.

“Essa desvalorização equivale a uma barreira tarifária e todo mundo se queixa de barreira tarifária, de protecionismo, e isso é uma forma de protecionismo”, criticou Dilma, para quem a massa monetária dos incentivos não vai para economia real, mas forma uma “bolha”.

Segundo fontes do governo, o Dilma deve propor a Merkel uma maior participação das potências emergentes através do Fundo Monetário Internacional (FMI), em troca de mais poder dentro do organismo e mudanças nas medidas antricrise.

Carlinhos Brown dá o contraponto
Se o discurso de Dilma, trajada em um dos seus tradicionais tailleurs de um cinza discreto, apostou em dados e informações, dentro da linha habitual da presidente de poucos arroubos retóricos, o contraponto ficou na performance do músico baiano Carlinhos Brown.

Vestido todo de branco e com os longos cabelos trançados coroados por um grande turbante vermelho, Brown cantou três músicas, duas delas com boa parte da letra em espanhol e ritmo de rumba.

O músico fez uma breve fala em inglês da qual não foi possível entender muito e pediu a participação do público em duas ocasiões.

Na primeira fila, a chanceler alemã Ângela Merkel e o CEO do Google, Eric Schimidt, faziam o melhor possível para manter o ritmo.

A apresentação foi encerrada com a banda se ajoelhando e se inclinando em direção ao público, tocando as mãos no chão.

Se é verdade que a apresentação de Brown e sua banda teve o mérito de fugir de clichês mais batidos sobre o Brasil como samba, futebol, praia e carnaval, também é certo que pode ter causado alguma confusão.

Ao longo dos próximos dias a delegação brasileira na Cebit poderá dizer se o público ficou com a ideia de que o Brasil é um país governado por uma senhora bastante séria, onde se fala espanhol (um erro que muitos europeus já cometem de qualquer maneira) e vive uma grande população muçulmana.

* Maurício Renner cobre a Cebit 2012 à convite da Softsul