O Brasil é o país mais promissor para investimentos em ações da América Latina, segundo um estudo do banco JP Morgan.

Para a pesquisa, foram ouvidos 40 investidores norte-americanos e europeus que administram US$ 57,3 bilhões em papéis de empresas da região.

De cada dez entrevistados, sete indicam o Brasil como o país que vai oferecer as melhores oportunidades de negócios por, pelo menos, os próximos três anos.

O país lidera, ainda, dois outros quesitos da pesquisa: melhores práticas de relações com investidores e de governança corporativa.

Os motivos mais indicados pelos executivos ouvidos para justificar sua preferência pelo Brasil são a expansão do poder aquisitivo da classe média no país e o aumento do “peso” da economia brasileira no âmbito global.

Em segundo lugar no estudo do JP Morgan vem a Colômbia, com 38% de favoritismo entre os investidores.
Chile e México dividem a terceira colocação, com índice de 25% cada um.

Nem tudo são rosas...
Entretanto, segundo Ivan Peill, VP de Relações com Investidores do JP Morgan, as respostas não são tão boas quanto ao Brasil quando se trata de empresas fora do Novo Mercado da Bovespa.

“Quando perguntamos sobre as piores práticas de governança, o Brasil também foi o mais mencionado pelos investidores, em relação às empresas fora do Novo Mercado”, afirma Peill. “Segundo os ouvidos, estas companhias não protegem adequadamente os acionistas minoritários”, comenta.

As entrevistas para o levantamento do banco norte-americano foram feitas ao longo de junho e julho deste ano.

O Novo Mercado
Implantado em dezembro de 2000, o chamado Novo Mercado é um segmento especial de listagem desenvolvido pela bolsa brasileira com foco em regras de governança corporativa adicionais às já contidas na legislação para o setor.

As normas tangem à prestação de informações para fiscalização da administração e dos controladores das companhias e adoção de regras societárias que equilibrem os direitos de todos os acionistas, independentemente da condição de controlador ou investidor.

O Novo Mercado não impõe restrições quanto ao porte ou setor de atuação das empresas: qualquer companhia que implemente as boas práticas de governança corporativa fixadas no regulamento da listagem, constante no site da Bovespa, pode negociar ações negociadas nesta modalidade.

Entretanto, são consideradas empresas alvo aquelas que iniciem na abertura de capital, ou as já listadas na Bolsa e que tenham apenas ações ordinárias ou que possam, no caso de existência de ações preferenciais, convertê-las em papéis ordinários.

Para garantir o pressuposto equilíbrio de direitos entre os acionistas, o Novo Mercado prevê também que as empresas deem a todos o direito de voto.

Em caso de venda do controle acionário, o comprador estenderá a oferta de compra a todos os demais acionistas, assegurando-se o mesmo tratamento dado ao controlador vendedor.

Já em caso de fechamento de capital ou cancelamento do contrato do Novo Mercado, o controlador ou a companhia, conforme o caso, fará uma oferta pública de aquisição das ações em circulação, tendo por base, no mínimo, o valor econômico da empresa, determinado por organização especializada.