A Anpei - Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras entregou na quinta-feira, 01, ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Rezendo, documento com sugestões para implantação concreta de novos mecanismos para alavancar a inovação, tendo o setor privado como protagonista.

O documento enfatiza as principais conclusões de mais de 500 pessoas, em sua maioria empresários e gestores de departamentos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de representantes de universidades, instituições científicas e tecnológicas e órgãos governamentais.

Uma das principais questões refere-se aos incentivos nacionais, estaduais e municipais para o fomento à inovação, entre as quais, a expansão dos mecanismos atuais, com critérios e conceitos mais abrangentes de inovação, criação de novas linhas de apoio, fomento para o desenvolvimento e o fortalecimento da capacitação técnica, gerencial e executiva das empresas.

Ainda neste tópico está incluída a concessão de melhores condições aos fomentos, incentivos, políticas, taxas de juros para as empresas que se comprometerem a contratar, de forma mais ampla, recursos voltados para a inovação e investirem inclusive na capacitação técnica de seus colaboradores.

Outra proposta consiste na criação de fóruns permanentes de incentivo à iInovação, com a participação de representantes do meio empresarial e de órgãos responsáveis pelas políticas públicas de fomento ao empreendedorismo e inovação, tais como MCT, MDIC, BNDES, Finep, APEX, ABDI e Receita Federal.

Esses fóruns teriam a função de dar dinamismo às legislações, regulamentações e políticas públicas, de forma a tornar a conjuntura mais favorável à adoção de inovação pela indústria, através de processos desburocratizados.

O documento propõe também várias ações para a integração em maior escala das universidades, empresas e governo.

Setor Privado: particpação estagnada

Nos últimos seis anos, a participação desse setor na totalidade de investimentos realizados em inovação está estagnada em 47%. Em contrapartida, em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, esse índice chega, em média, a 62%.

"O número é um alerta porque sem inovação não há competitividade nem modernização sustentável dos parques industriais, resultando em prejuízo à economia e, principalmente, a toda a sociedade", afirma o presidente da Anpei, Carlos Calmanovici.

Segundo ele, em um futuro próximo essa defasagem poderá colocar o Brasil em um nível menos competitivo em relação à China, Rússia, Índia e países desenvolvidos como Estados Unidos, Japão e várias nações européias.

A Anpei representa indústrias que empregam hoje cerca de 20 mil pesquisadores, com faturamento de R$ 600 bilhões e investimentos de R$ 10 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação.