A onda de incêndios, arrastões e explosões no Rio de Janeiro ganhou um mapa no Google, criado por um blogueiro carioca, e tem chamado atenção no Twitter.

Iniciativa do blog Diário do Rio de Janeiro, o mapa não é o único a apontar a localização dos ataques – o site G1, por exemplo, também possui um similar – mas é o primeiro feito por moradores aparentemente sem vínculo com a imprensa ou alguma instituição.

Além dos incêndios, o mapa monitora os arrastões e disparos contra quartéis cariocas.

“Ele foi feito para dar uma ideia geral, não tem como ser exato apenas com as informações da mídia. Mas o fato é que ele não para de ser atualizado”, escreve o autor, Quintino Gomes.

Segundo o jornal Extra, 92 pessoas foram presas e 25 mortas, além de 3 policiais feridos. Desde domingo, foram 96 veículos incendiados, 44 armas e 8 granadas apreendidas, além de drogas e material inflamável.

Rio nos TTs do Twitter
O caos instaurado na capital fluminense também tem chamado atenção no Twitter.

Desde o dia 21, a tag #rio tem estado nos trending topics, nacionais ou mundiais. Nesta sexta-feira, cinco dos dez termos mais comentados no microblog estão relacionados à cidade.

Nesta sexta-feira, além de #rio estão nos TTs os termos #paznorio, Vila Cruzeiro (alvo de uma megaoperação da polícia nessa quinta-feira, 25), BOPE (sigla do Batalhão de Operações Especiais da polícia carioca) e complexo, como são chamadas certas áreas ocupadas por traficantes, como o complexo do Alemão.

Juntas, estas cinco expressões respondem por 1,22% das mensagens enviadas pelo microblog. Nessa quinta, os mesmos termos somaram 1,71%, segundo o site Trendistic.

O termo mais tuitado é Black Friday – em alusão à liquidação do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos – tem 1,56%, conforme a mesma ferramenta de medição.

@caosrj, de olho nas notícias
Um perfil no Twitter também foi criado especialmente para monitorar informações sobre os incidentes na cidade. Segundo o IDG Now, o @caosrj faz um plantão da violência e dos efeitos sobre o cotidiano da cidade, como aulas canceladas em universidades e outras instituições de ensino.

Conforme o site, o perfil é mantido pelo estudante de jornalismo Pablo Tavares, de 23 anos.

“Eu acompanhava  as notícias na mídia, mas vi que os veículos estavam atrasados em relação ao Twitter, o que é natural. Comecei a ver que muitas pessoas relatavam casos que elas estavam vendo, como carros sendo queimados ou locais de tiroteios. Quando via que três, quatro ou mais usuários confirmavam uma história, a probabilidade de ela ser verdadeira é grande. E o mesmo acontecia para desmentir: quando algo não está certo, os outros usuários desmentem”, disse Tavares ao site.

Reforço militar
Perto de completar uma semana dos primeiros ataques, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, assinou uma diretriz ministerial que estabelece o envio de reforço das Forças Armadas para o governo do Estado do Rio de Janeiro.

Serão enviados 800 soldados para garantir a proteção dos perímetros das áreas conflagradas que forem ocupadas pela polícia. O reforço foi solicitado pelo governador do Estado, Sérgio Cabral Filho.

Jobim também determinou o envio de dois helicópteros da Força Aérea e dez blindados de transporte.

Veículos da Marinha, com o apoio de fuzileiros navais, já tomam parte da operação no Rio. A diretriz ministerial prevê ainda o fornecimento, temporário, de equipamentos de comunicação entre aeronaves e tropas em solo e óculos para visão noturna.