O programa "Um Computador por Aluno" não terá resultado se a mudança digital não começar pelos professores da rede pública de ensino.

A afirmação é de Léa Fagundes, professora e pesquisadora da UFRGS que coordena parte do programa em escolas gaúchas e falou nesta quarta-feira, 21, durante o workshop UCA – parte da programação do 11° Fórum Internacional do Software Livre.

Léa, que apresentou o projeto para uma platéia de 127 professores, coordena o projeto no estado entre as escolas que receberam o modelo XO, da organização One Laptop Per Child (OLPC). No Rio Grande do Sul, quatorze escolas já receberam os equipamentos.

O projeto do governo federal, que recebeu investimentos de US$ 82 milhões, já comprou 150 mil laptops (Classmate, XO ou Mobilis) para atender 300 escolas públicas de vários estados do Brasil

No entanto, não é bem recebido com entusiasmo por todos os docentes, conforme questionamentos levantados durante o workshop. Entre a preocupação dos professores participantes está o controle de sala de aula, o conteúdo a que os alunos terão acesso em um ambiente online e até mesmo a diminuição da interação em sala de aula.

A resposta de Léa? É preciso deixar de ser um professor de “alguma matéria” para tornar-se um educador que gerencia o espaço em aula de forma adequada aos novos tempos.

“O objetivo é o mesmo. Você tem que buscar desenvolver as habilidades e competências do aluno. Mas a aula não tem que ser somente linear. As crianças não pensam assim”, afirma a pesquisadora que diz não saber mais trabalhar sem o laptop tamanha a melhoria trazida para a sala de aula.

Professora de quarta série da Escola de Ensino Fundamental Luciana de Abreu, de Porto Alegre, Léa mantém os computadores disponíveis para os alunos durante todo o decorrer da aula.

 “Os alunos trabalham por projetos. Escolhem um tema, levantam hipóteses pesquisam o aspecto que julgam mais interessante, apresentam e postam no site. É um trabalho interdisciplinar e muito rico”, afirma a pesquisadora contando que o computador não substitui as técnicas “antigas” como dinâmicas de grupo, experimentações com materiais, entre outros, mas vem ao encontro das mesmas.

Claro que nem tudo é perfeito e, além de eventuais problemas técnicos, os alunos tem alguns momentos de distração na internet que já acabaram até em sites pornográficos e redes sociais.  

“Toda a movimentação do aluno fica registrada. Ele pode entrar em determinados sites durante seu tempo livre. Mas se é algo mais grave, chamamos para conversar e explicamos o porque de não entrar nestes espaços virtuais”, declara a professora.

Juntamente com Léa, estava um grupo de alunos de quinta série que vem usando o laptop desde que o programa, ainda em fase piloto, foi adotado.

Para os alunos, é difícil voltar ao velho esquema de cadernos e quadro negro. “Hoje temos editores de texto, então estranhamos quando algum professor substituto pede que usemos cadernos e canetas”, conta Gabriela, uma das alunas da quinta-série.