O Ceitec licitará até o final do ano a contratação de uma consultoria para fazer um levantamento de mudanças necessárias no estatuto, regimes internos, plano de cargos e salários, além do regulamento de compras e contratos e normas administrativas.

A revelação foi feita pelo presidente do Ceitec, Cylon Gonçalves da Silva, durante palestra no  3º Congresso Internacional de Inovação, encerrado na Fiergs nessa quinta-feira, 19.

“Lamento, mas a Ceitec não é uma empresa, é, sim, uma repartição pública”, disse Silva aos presentes, segundo reportagem da Zero Hora desta sexta, 20.

O presidente da empresa, transformada em estatal federal há dois anos, afirmou também que o Ceitec “ficou sem foco, perdeu o rumo” e precisa mudar para ser mais “ágil”. O “reprojeto da cabeça aos pés” proposto por Silva deve durar um ano.

No cargo desde julho, o PhD em física pela Universidade da Califórnia não é o primeiro gestor a reclamar em tons duros dos entraves burocráticos para administrar o Ceitec.

Ao se demitir, o ex-presidente Eduard Weichselbaumer entregou uma carta ao  ministro de Ciência e Tecnologia na qual afirmava que “nestas condições não vejo a empresa como tendo condições de atingir os objetivos necessários de forma a ter sucesso”, falando sobre a demora do MCT em atender suas demandas.

“Durante os últimos 18 meses eu tenho apresentado o que é necessário para completar a fábrica - e que na minha opinião, poderia ter sido concluído há 12 meses atrás caso a administração do MCT tivesse sido eficiente”, critica o alemão na carta.

Em uma entrevista concedida ao Baguete Diário em agosto de 2009, Weichselbaumer chegou a afirmar que o Ceitec deveria abrir capital em “até três anos”.

O executivo alemão não entrou em detalhes sobre se a venda deveria ser total, mas criticou os  custos administrativos do centro de produção de chips da Lomba do Pinheiro – 20%, contra 7% da concorrência.

O Ceitec já recebeu aportes de R$ 400 milhões do governo nos últimos anos.