Caiu como uma bomba entre os integrantes da delegação gaúcha na CeBIT o boato – ainda não confirmado pelo governo estadual – sobre a substituição de Suzana Kakuta na presidência da Caixa-RS pelo ex-reitor da Uergs, Carlos Brandão Roldo Hermann, um quadro do PSDB pouco conhecido no meio empresarial.

O rumor começou a circular horas antes da apresentação sobre o potencial do Rio Grande do Sul para atrair investimentos em TI que Suzana fez na feira de tecnologia de Hannover nesta quarta-feira, 04.

Suzana afirma que não comentará o boato, mas afirma que é “uma prerrogativa da governadora nomear cargos públicos”.

No entanto, a executiva não se furta de defender os resultados da sua gestão à frente da Caixa-RS, que cumprirá os dois anos de mandato em abril, quando terá que ser renovada – ou não – pela governadora.

“Pela primeira vez em sete anos o banco pagou seus custos”, resume Suzana, que destaca também o aumento de lucratividade de 25% e a mudança de posicionamento da instituição, agora mais focada em desenvolvimento.

Suzana Kakuta assumiu a gestão da Caixa-RS depois de ser confirmada para um terceiro mandato à frente da diretoria operacional do Sebrae-RS. Antes, havia dirigido por oito anos o departamento de competitividade da Confederação Nacional da Indústria.

Nos últimos seis meses, circulou no interior discretamente o rumor de que ela deixaria o cargo para dar lugar a uma pessoa mais ligada à base de sustentação do governo.

A medida teria sido postergada por influência do novo secretário de Desenvolvimento, Márcio Biolchi.  A confirmação dos rumores de demissão depende ainda pela burocracia do Banco Central, que regula as atividades da Caixa-RS, tardou um mês e meio em confirmar a nomeação de Suzana quando ela foi indicada no começo do governo Yeda Crusius.

O secretário Biolchi, que também está em Hannover e  fez a abertura da palestra de Suzana na CeBIT, prefere não comentar a possível saída da profissional da Caixa-RS, mas elogia a “capacidade de trabalho” e o “bom trânsito em diferentes setores da economia”.
 
Entre os representantes do setor de TI presentes da CeBIT, todos presentes à apresentação de Suzana nesta tarde e são unânimes em elogiar o trabalho da presidente da Caixa-RS, o tom das declarações misturava espanto, tristeza e uma dose mais ou menos contida de irritação.

“Fomos pegos de surpresa. Pela primeira vez, estava sendo criado uma sinergia com o setor de TI baseada em um programa do próprio governo”, comenta José Antônio Antonioni, presidente da Sofsul, entidade que teve apoio da Caixa-RS para promover um estante com empresas brasileiras de TI na CeBIT.

“Estou desapontado. Suzana tem feito um bom trabalho pelo setor de TI desde o tempo do Sebrae-RS”, resume Edgar Serrano, diretor do Seprorgs que representa a entidade no evento. Aliomar Silva de Oliveira, diretor do ESICenter Brasil e da Unidade de Inovação e Tecnologia da Unisinos (Unitec), concorda: "É uma pena tirar de cena uma pessoa que vinha fazendo um bom trabalho numa área que o próprio governo define como portadora de futuro".

Oldemar Plantikow Brahm, empresário com assento nos conselhos de administração da Abinee-RS e Fiergs, acredita que se confirmada a medida será um “passo atrás” na formação de uma sinergia no Rio Grande do Sul entre academia, governo e empresas, como acontece em países mais desenvolvidos.

Desde São Leopoldo, em ligação para a reportagem do Baguete, o presidente do Pólo de Imformática de São Leopoldo, Siegfried Koelln, deu uma opinião sintética que parece resumir o sentimento do setor de TI ante a possível demissão: “Pela primeira vez nos meus 20 anos como empresário, vi algum órgão do governo fazer coisas válidas pelo setor de TI nessa gestão da Caixa-RS. Está na hora de entender que nem todos os cargos públicos precisam ser ocupados por políticos”.

Comentário no blog da CeBIT
O assunto foi discutido pelo editor do Baguete, Maurício Renner, no blog criado para a cobertura do portal na CeBIT. Confira o texto na íntegra no link relacionado abaixo.