Sandra Castello, diretora de Marketing e Pessoas da DMCard.

A DMCard, uma administradora de cartões private label sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo, mandou 214 atendentes do seu call center para casa em pouco mais de uma semana, usando a solução Amazon Workspace Services e notebooks comprados pela empresa. 

O grupo inclui 154 atendentes do SAC e 60 da área de análise de crédito, que nunca haviam trabalhado remotamente até o surgimento da crise do coronavírus.

“Estamos todos orgulhosos de conseguir minimizar ao máximo os riscos para a saúde sem penalizar nenhuma posição de trabalho. Nenhum contrato de trabalho dos cargos efetivos da DMCard foi interrompido”, afirma Sandra Castello, diretora de Marketing e Pessoas da DMCard.

As solicitações e aprovações de crédito para novos clientes terão atendimento realizado via Whatsapp. Os analistas em São José dos Campos serão responsáveis por verificar cada solicitação, em um formato que já tem sido adotado em algumas redes parceiras.

Atualmente a empresa conta com 790 funcionários, sendo que 400 ficam na sede, em São José dos Campos. A DMCard conseguiu implementar home office para 90% deles.

A DMCard nasceu de uma pequena operação de cartões de fidelidade de uma rede varejista. Hoje tem 3 milhões de cartões emitidos para mais de 360 redes e 2.300 lojas, incluindo Sonda, Unissul, Unidasul, Paulistão e Extrabom.

A situação da DMCard é uma constante no segmento de contact center, no qual empresas estão tomando medidas para diminuir a quantidade de funcionários que se aglomeram nas suas operações, hoje um ponto de risco para o vírus.

Na semana passada, a Algar Tech anunciou que iria mandar 50% de seus colaboradores de contact center para casa. Eles devem esperar em quando a companhia organiza uma migração para home office.

Para quem permanece nas instalações da empresa, estão sendo adotadas medidas preventivas como espaçamento entre as posições de trabalho e o revezamento com folgas remuneradas.

A Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), que representa as maiores empresas de contact center do país, já havia anunciado que seus integrantes procurariam adotar home office quando fosse possível. 

A adoção de uma prática de home office em larga escala para um call center com milhares de atendentes é uma operação complicada. Na última semana, se tornaram comuns comunicados de instituições de todas as áreas alertando para grandes tempos de espera nos seus atendimentos.

Mesmo em nível corporativo, a crise do coronavírus expôs o pouco preparo existente para adoção do trabalho em casa. 

Um estudo da consultoria de recursos humanos Robert Half com 240 profissionais mostrou que as empresas de 41% deles tiveram que improvisar políticas de home office na última hora.