Rivadávia Drummond.

A inovação é um processo gerado a partir de uma interface entre modelos de negócio e tecnologia, com essa última – e os executivos responsáveis por essa última – não sendo necessariamente o elo mais forte da cadeia.

É o que acredita Rivadávia Drummond, presidente da HSM Educação, uma das principais instituições de educação executiva do país, que esteve palestrando sobre o tema o Mesas de TI do Seprorgs nesta sexta-feira, 27.

“Muitos CEOs nomeiam uma pessoa que conheça tecnologia para liderar iniciativas de inovação. É um erro. Tecnologia se compra”, apontou  Drummond, destacando que o perfil certo para comandar a inovação nas empresas são pessoas que conheçam o negócio na qual elas atuam.

Isso porque novas tecnologias, já sejam nos próprios produtos ou nos processos de produção, devem ser introduzidas de acordo com fatores como propósito de valor, a cadeia de suprimentos e o cliente alvo da empresa – todos esses aspectos relacionados ao modelo de negócio da organização.

Drummond, que foi o reitor universitário mais jovem do país ao assumir o Centro Universitário Belo Horizonte quatro anos atrás, citou como um exemplo da preponderância das questões de modelo de negócio sobre tecnologia o case da Xerox.

“A Xerox tinha uma tecnologia muito superior aos mimeográfos. Mas só decolou quando achou a maneira certa de vender”, exemplificou Drummond.

De acordo com o professor, durante anos a Xerox tentou colocar o produto no mercado a um preço de US$ 7 mil, muitas vezes superior aos mimeográfos. Até o momento em que a empresa decidiu basicamente dar o equipamento, cobrando apenas US$ 0,01 por cópia a partir da 300a cópia.

Outro exemplo foi a disputa entre os primeiros iPods, da Apple, contra o Sansa, um MP3 player criado pela Sandisk. Ainda que as features fossem equivalentes e o Sansa mais barato, a Apple venceu a disputa pelos serviços que criou ao redor do seu produto na iTunes.