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A indústria de veículos pesados no Brasil está sentindo o impacto da recente desaceleração do mercado local. Nessa semana, Randon e Mercedes-Benz anunciaram licenças para os empregados.

No grupo gaúcho Randon serão 1,3 mil funcionários em férias de 4 a 13 de junho. O número equivale a 40% do quadro geral. Os dispensados são das controladas Jost, Suspensys e Master.

Além disso, a Randon Implementos suspenderá a produção de reboques de 4 a 8 de junho.

Nessa leva serão liberados 3,6 mil empregados – 83,7% da força de trabalho da Implementos. Outros 640 funcionários serão transferidos do terceiro turno para outros horários de trabalho.

Ao mesmo tempo, a Mercedes-Benz do Brasil está lançando um programa de lay off que dispensará temporariamente 1,5 mil funcionários da unidade em São Bernardo do Campo (SP).

Os contratos ficarão suspensos por cinco meses, conforme acordo com o sindicato, e os empregados receberão uma bolsa de auxílio de R$ 1.163.

Além disso, os colaboradores farão cursos de qualificação durante a suspensão do contrato.

Segundo informa o jornal Financial Times, a medida na Mercedes foi adotada para reduzir o impacto pela queda no mercado de ônibus e caminhões.

Dados da Fenebrave indicam que as vendas de ônibus e caminhões caíram 12,5% e 17,35%, respectivamente, na primeira metade de maio, frente ao mês de abril. Na comparação anual, a queda é mais acentuada: 30,19% e 16,02% para cada veículo.

Na Randon, de acordo com o gerente executivo de administração do grupo, Vanderlei Novello, o objetivo das medidas é adequar a força de trabalho ao nível de produção, prejudicado pela mudança de tecnologia nos motores a diesel no Brasil efetuada em janeiro.

Nos quatro primeiros meses do ano, a produção da Randon caiu 30% na área de caminhões. Em chassis para ônibus, a retração foi de 35%.

A receita consolidada líquida da Randon recuou 21,6% no primeiro quadrimestre, frente ao mesmo período de 2011, para R$ 1,03 bilhão.