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O Ceitec acaba de entregar o primeiro lote de engenharia de chips de rastreamento por radiofrequência para a HP do Brasil.

O lote de engenharia é uma fase na indústria de chips que precede a fabricação em larga escala, quando o fornecedor entrega o uma quantidade do produto para os clientes testarem.

A divulgação feita pela HP não menciona o tamanho do lote, que no caso do Ceitec pode ser algo entre 1 mil a 200 mil unidades.

O chips RFID CTC 13000 já haviam sido testados pelo Centro de Excelência em RFID da HP e acreditados em testes de portal, esteira e estáticos.

Agora, um lote em “grande escala” encontra-se em avaliação para continuidade do desenvolvimento da solução completa, o que inclui antena e montagem da TAG a ser aplicada nos produtos.

A multinacional americana vai usar os chips desenhados no centro de desenvolvimento gaúcho e fabricados no exterior para identificar produtos de imagem e impressão fabricados no Brasil ao longo de todo o processo produtivo.

A ideia é monitorar tudo, desde a fabricação propriamente dita, passando pela distribuição, até chegar ao retorno dos itens, depois de terem passado pelos clientes, para a reciclagem.

“A adoção desse chip também vai ao encontro da estratégia da HP de usar cada vez mais componentes nacionais em seus produtos. O CTC 13000 é um chip de múltiplas aplicações em logística”, ressalta o superintendente de Desenvolvimento de Produtos e Negócios da Ceitec S.A, Reinaldo de Bernardi.

O programa SmartWaste da HP foi inciado em 2004 e, desde então, já inseriu a identificação eletrônica em cerca de dez milhões de impressoras.

Entre julho e dezembro do ano passado, o programa rastreou cerca de 35 mil impressoras, sendo que quatro mil delas já foram totalmente identificadas e segregadas.

O programa da HP vai de encontro às exigências regulatórias crescentes sobre lixo eletrônico.

No final de 2010, o governo federal aprovou uma legislação que fará as empresas fabricantes responsáveis pelo descarte responsável dos resíduos eletroeletrônicos.

O volume é enorme. Segundo a ONU, são gerados 2,6 quilos de lixo eletrônico por habitante a cada ano. Do do total, apenas 2% é reciclado, conforme estudos da Associação Brasileira de Engenharia de Produção, realizados em 2005.

O contrato é o primeiro fora da esfera da administração pública divulgado pelo Ceitec. Até agora, os chips RFID estavam focados em projetos do governo de rastreabilidade bovina ou controle de material em bancos de sangue públicos.

Desenvolvido na tecnologia de 180nm, o CTC13000 atende em sua totalidade o padrão EPCglobal Class1 Gen2 e utiliza transmissão de dados por meio de codificação por intervalo de pulso (PIE) e modulação em amplitude (ASK).

O chip RFID opera em ultra-alta frequência (UHF) na faixa de 860-960 MHz, com taxa de comunicação de dados entre 40 kbps e 640 kbps.

São 1kbits de memória interna (512bits de memória de usuário) com retenção de 10 anos.