Nizan Guanaes deu seu pitaco sobre big data.

Nizan Guanaes, chairman do Grupo ABC de Comunicação, holding que é dona de algumas das maiores agências de propaganda do país, publicou um artigo sobre Big Data na Folha de São Paulo nesta terça-feira, 30.

Um dos publicitários mais importantes do Brasil, Guanaes mostra no texto que fez a sua lição de casa em relação ao assunto, com uma explicação didática do conceito e menções a pesquisas recentes sobre pesquisas de perfis baseados em likes no Facebook ou sobre tendências de mercado a partir de dados de buscas do Google.

É na conclusão, no entanto, que o chairman mostra sua visão sobre o fenômeno do big data, ideias com as quais especialistas no assunto - e até mesmo esse humilde repórter - podem facilmente entrar em desacordo.  

Guanaes começa sua conclusão lembrado que “nem sempre softwares e complexos modelos matemáticos acertam” como provaria “a última crise econômica mundial” e “o estrago que os algoritmos conseguem fazer nas finanças”.

Uma tese discutível, tendo em conta que os softwares de trading algorítmico tiveram uma participação marginal na última crise econômica, em todo caso motivada justamente pela sua capacidade excessiva de acertar alterações no mercado acionário no curto prazo.

De qualquer forma, não é o aspecto central do comentário central de Guanaes. Ao que parece o empresário decidiu usar um termo de moda de escada para fazer a defesa do papel dos publicitários na estratégia das empresas, ainda que os dois campos não estejam relacionados de maneira contraposta .
 
“Às vezes, é preciso deixar de lado a mania de querer provar. Nem tudo é exato. Os dados servem para nos formar e informar, mas a intuição é a mãe da invenção. E intuição é quando as pessoas parecem falar uma coisa e você percebe que elas estão dizendo outra”, analisa Guanaes.

O publicitário parece não haver percebido que o assustador das campanhas baseadas em histórico de navegação e compras de internautas é que elas dizem exatamente no que as pessoas estão interessadas, sem necessidade de que um grupo de pessoas interprete o que elas estão realmente querendo dizer quando clicam em algo.

“O cérebro humano não pode ser a extensão do software. Sua intuição será cada vez mais a sua profissão. O resto será feito por coisas e programas”, analisa o chairman do Grupo ABC.

Não se pode dizer que Guanaes não acredite no que está dizendo. Em setembro de 2012, o publicitário lançou a África Zero, uma nova agência da holding baseada segundo o artigo em “intuição” como a “base de tudo, com zero de burocracia e quase zero de pesquisa”.

Encabeçada pelo próprio Guanaes, o novo empreendimento causou barulho no mercado publicitário  mas até agora não anunciou quais seriam seus clientes.