Nizan Guanaes: "Deixe eu dar uma olhada nesses dados". Foto: divulgação.

O Grupo ABC fechou um acordo com a 2Action2Action, empresa que vinha atuando como consultoria em estratégias digitais para agências de publicidade, para formar uma unidade de gestão de inteligência de dados do grupo, batizada de Mindigitall.

A nova empresa terá uma equipe de 15 profissionais dedicados à tarefa de coletar, segmentar, interpretar e integrar os dados ao trabalho de comunicação desenvolvido pelas agências do grupo.

O novo negócio terá acordos com parceiros como Adobe, DoubleClick/Google, MediaMath, Turn, Melt e Tail Target.

“Este é um movimento de longo prazo dentro da expansão do ABC. Ele permitirá ao grupo oferecer a seus clientes e a suas agências a melhor gestão da enorme massa de dados disponíveis hoje para a publicidade e os negócios em geral”, declarou Guga Valente, CEO do Grupo ABC, em comunicado.

Fundada por Ernani Vidal Araujo, um ex-gerente de projeto da multinacional de marketing digital Aunica, a 2Action atendia agências de publicidade como África e DM9DDB (duas agências do grupo ABC) e empresas como B2W.

A nova empresa representa também uma mudança de atitude (ou talvez apenas de discurso) a respeito de big data por parte do Grupo ABC.

Ainda em maio de 2013, Nizan Guanaes, chairman do Grupo ABC, publicou um artigo cético sobre o fenômeno big data na Folha de São Paulo.

O empresário, um dos nomes mais reconhecidos da publicidade brasileira, usou o que então era um termo emergente de escada para fazer a defesa do papel dos publicitários na estratégia das empresas, ainda que os dois campos não estejam relacionados de maneira contraposta .

“Às vezes, é preciso deixar de lado a mania de querer provar. Nem tudo é exato. Os dados servem para nos formar e informar, mas a intuição é a mãe da invenção. E intuição é quando as pessoas parecem falar uma coisa e você percebe que elas estão dizendo outra”, analisa Guanaes.

Em setembro de 2012, o publicitário lançou a África Zero, uma nova agência da holding baseada segundo o artigo em “intuição” como a “base de tudo, com zero de burocracia e quase zero de pesquisa”.

Aparentemente, a bem sucedida intuição de Guanaes decidiu que era hora de apostar em big data.