Marchezan falou de novo sobre a Procempa. Foto: PMPA.

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), quer vender ou pelo menos reduzir o tamanho e as funções da Procempa, estatal municipal de processamento de dados.

O plano foi revelado em palestra na Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), nesta terça-feira, 28.

De acordo com o Jornal do Comércio, Marchezan teria dito que o déficit da Procempa em 2017 chegou a R$ 90 milhões. O prefeito também falou de fechar a Fundação de Assistência Social (Fasc) e a Carris, estatal municipal de ônibus, que totalizam R$ 200 milhões de déficit. 

O prefeito não mencionou prazos ou deu maiores detalhes sobre a Procempa. A estatal já foi apontada como Marchezan como um alvo para enxugamento ou venda em diversos contextos e ocasiões desde a época da campanha eleitoral.

Durante encontro com entidades de TI gaúchas, em setembro de 2016, Marchezan falou aos empresários presentes que a Procempa era “mais cara do que Porto Alegre pode pagar”. 

O então candidato listou como problemas altos salários “50 pessoas ganhando R$ 50 mil, operadores de call center ganhando R$ 8 mil” e o alto custo dos serviços oferecidos “R$ 650 por ponto de rede, incluindo conexão e sistemas”.

Na mesma ocasião, disse que “sinceramente, não sabia o que fazer com a Procempa”, preferindo questionar os presentes sobre se eles achavam que os valores cobrados estavam dentro da realidade de mercado.

Depois de eleito, Marchezan nomeou para a presidência da estatal Paulo Miranda, ex-secretário Municipal da Informação e Tecnologia da Prefeitura de Curitiba.

O nome parecia sinalizar a vinda de mudanças uma vez que a capital paranaense não tem uma estatal municipal de processamento de dados.

Esse papel é executado pelo ICI (Instituto das Cidades Inteligentes), uma associação sem fins lucrativos focada em fornecer soluções de tecnologia para diferentes prefeituras, incluindo a capital paranaense.

O modelo poderia ser a base para uma futura PPP que diminuísse o tamanho da Procempa, mas o assunto não andou.

Michel Costa, diretor-técnico da Procempa, e responsável por diversas iniciativas dentro da empresa, acabou se demitindo no ano passado depois de que a Zero Hora fez uma matéria apontando potencial de conflito de interesse do empresário.

Não está claro como as iniciativas apontadas por Marchezan podem avançar. A Câmara de Vereadores não aprovou no ano passado medidas consideradas essenciais, como uma revisão dos valores do IPTU ou a reforma da Previdência municipal.