Brasscom tem bala na agulha. Foto: divulgação.

Sergio Paulo Gallindo, ex-country manager da British Telecom no Brasil, assumiu a Brasscom com o objetivo de tornar a entidade a líder do setor de TI brasileiro.

É o que transparece de uma entrevista do executivo ao Valor Econômico, no qual Gallindo colocou como metas “ampliar a interlocução com o governo” e “funcionar como um agregador de outras associações do setor”.

Numa nota divulgada à imprensa, o termo usado foi “catalisador do setor de TI do país”.

Em termos de poder de fogo econômico, a Brasscom é indiscutivelmente a entidade de TI mais poderosa do país.

Dados da entidade apontam que seus 37 associados representam algo como 70% do PIB de TI do Brasil, incluindo nomes como Accenture, IBM, Politec, Softtek, TCS, Capgemini, Totvs e Unicamp.

A mensalidade para participação na entidade fica na casa dos dezenas de milhares de reais.

Quando o assunto é política setorial, no entanto, a Brasscom operava por meio de uma Frente Nacional das Entidades de Tecnologia da Informação (FNTI), da qual participam também Assespro Nacional, ABES, Fenainfo, Softex e Sucesu, entidades mais antigas no setor. 

Criada em 2004, a Brasscom surgiu à imagem e semelhança da poderosa associação indiana Nasscom com o objetivo de promover a imagem do Brasil como um exportador de serviços de TI. 

O plano não foi lá muito bem sucedido e o assunto passou a ser o mercado interno. Uma das vitórias da associação, com apoio da FNTI, foi a desoneração da folha de pagamento, em 2011.

A troca do recolhimento de 20% sobre a folha salarial por uma taxa fixa de 2,5% sobre o faturamento, com direito a isenção total sobre o faturado com exportações, mostrou, aliás, que existem interesses contrapostos no universo das entidades de TI.

O Seprosp, sindicato patronal de TI de São Paulo, disse na época que entraria na justiça contra a desoneração da folha de pagamentos da área de TI, visando tornar a troca facultativa.

No Rio grande do Sul, entidades como o sindicato patronal Seprorgs e o capítulo gaúcho da Assespro (mesmo com a entidade nacional apoiando o projeto através do FNTI) também mostraram oposição.

O argumento dos paulistas era que a troca não era vantajosa para empresas nas quais o custo da mão de obra tinha um peso menor.

No caso dos gaúchos, a crítica era um pouco mais complexa e passava por uma suposta vantagem competitiva que empresas multinacionais voltadas para a exportação – grandes empregadores no Rio Grande do Sul – teriam em relação a empresas mais focadas no mercado interno.

Na época, em 2011, a Brasscom veio a público afirmando que o temor dos críticos era na verdade perder a vantagem de contratar PJs, em um momento em que as grandes empresas abandonam a tática em favor da chamada CLTização.

As aspirações da Brasscom ao um papel hegemônico no cenário de TI empresarial não são descabidas. A maioria das integrantes da FNTI, não tem como foco ou condições práticas exercer um papel desse tipo.

Os sindicatos patronais de TI, em tese agregados Fenainfo, são muitas vezes fracos e estão divididos no seu enquadramento entre a Confederação Nacional dos Serviços, a qual a Fenainfo está ligada, e a Confederação Nacional do Comércio ao qual sindicatos locais como o Seprorgs são vinculados.

A ABES reúne grandes nomes, mas o seu foco principal é o combate a pirataria e a promoção da adoção de software proprietário na administração pública.

A Softex é um organismo semi-estatal encarregado de promover exportações e a Sucesu se dedica mais a promover a interação entre usuários e indústria.

A única das entidades que pode aspirar a um papel maior é a Assespro Nacional, que aliás, está tomando medidas nesse sentido.  Em novembro, a entidade passou a funcionar como uma federação.

Com a mudança, outras associações locais e entidades sem representação nacional poderão se federar, aumentando assim sua representatividade por meio da Assesspro, que, ao mesmo tempo, amplia assim a sua base de associados, hoje em 1,4 mil empresas, a maioria delas pequenas e médias.

Alguns exemplos de entidades com atuação segmentada são a Abradisti, que reúne distribuidores de tecnologia; a Abragames, que reúne desenvolverdores de jogos. Também a entidades com foco regional como a Ativales, de empresas do Vale do Rio Pardo e Taquari, no Rio Grande do Sul.