Infra 4G da On ficará por conta da Huawei. Foto: divulgação.

A On Telecomunicações e a Huawei anunciaram durante o Mobile World Congress (MWC) 2013, em Barcelona, uma parceria para fornecer tecnologia 4G no Brasil.

A Huawei fornecerá a infraestrutura para que a operação seja iniciada no interior do estado de São Paulo, onde a On atenderá inicialmente 133 cidades, para uma população estimada em 10 milhões na primeira fase.

No entanto a operadora, que participou do leilão do 4G na metade do ano passado, tem planos de expandir rapidamente sua atuação.

Com foco na ampliação de suas operações para outras regiões do Brasil, a ON estudará aquisições e participações em concorrências públicas e privadas.

Um exemplo seria o da Vivo, cujo presidente Antônio Carlos Valente, pronunciou recentemente que poderia compartilhar sua estrutura 4G com outras operadoras para reduzir custos.

A On venderá modem e roteador por meio de lojas online, que podem ser enviados pelo correio, ou por grandes varejistas, com os quais negocia.

A tecnologia utilizada pela On é a TD-LTE, desenvolvida especificamente para serviços de dados em alta velocidade em redes sem fio.

“O foco da empresa é entregar internet de qualidade, garantir velocidade, latência e disponibilidade, para proporcionar a melhor experiência de navegação”, declara Fares Nassar, CEO da On Telecom.

A tecnologia fornecida pela Huawei possibilita que a operação seja viabilizada de maneira que sejam atendidas as populações de grandes condomínios bem como de regiões pouco habitadas.

Inicialmente, as duas empresas somam 20 torres em operação, além das redes de MMDS já existentes da On.  

Criada no ano 2012, a On Telecomunicações tem como sócios a Quattro Consultoria em Telecomunicações, dos investidores Fares Nassar e Zaki Rakib, e a Quantum Strategic Partners, do investidor americano George Soros.

CORRENDO POR FORA

Com a investida, a On mostra suas garras para se tornar uma nova força no 4G, tecnologia ainda incipiente.

Das quatro principais operadoras do país, só a Claro lançou oficialmente sua operação comercial, ainda que em poucas cidades (Curitiba, Recife, Paraty, Campos do Jordão, Angra dos Reis e Brasília).

Embora a Anatel já tenha liberado a frequência de 2,5GHz para o serviço, os esforços das telecoms ainda estão tímidos.

A troca pela nova tecnologia exige um grande investimento em estrutura por parte das operadoras, sendo que apenas agora os investimentos em 3G começaram a gerar retorno.

Enquanto isso, as copas - Confederações e do Mundo - se avizinham e os prazos para a implantação do 4G - serviço considerado indispensável para estes eventos - se encurtam.

A chegada de novas operadoras neste jogo pode dar um novo gás no processo.

O foco no interior paulista também pode ser uma cartada de mestre para a On. Segundo dados do Estadão, em 2012 a região superou a Grande São Paulo em mercado consumidor.

No ano passado, a região movimentou aproximadamente R$ 382,3 bilhões, cerca de 50,2% do total do estado de São Paulo.

HUAWEI
Expandindo sua participação nas telecomunicações no país, o 4G é a grande aposta da gigante chinesa para o Brasil, depois de um 2012 fraco.

No país, a empresa fechou 2012 com uma receita de R$ 800 milhões, uma queda de 27% em relação a 2011, no qual faturou R$ 1,1 bilhão no Brasil.

A Huawei será responsável pelos equipamentos em 40% da estrutura da Vivo, 38% da Claro e 25% da rede da TIM.

A fabricante tem contratos fechados com as operadoras para fornecer parte de suas estruturas para as novas redes de internet móvel, o que deve aumentar "um pouco" o resultado da empresa em 2013.