Bruce Dickinson. Foto: Campus Party Brasil 2014/Divulgação.

Tamanho da fonte: -A+A

Além de vocalista da célebre banda britânica de heavy metal Iron Maiden, Bruce Dickinson também exerce o papel de consultor de TI nas horas vagas. Foi assim pelo menos que o músico de 55 anos se comportou diante do público na Campus Party, nesta terça-feira, 28, em São Paulo.

Com alguns empreendimentos na bagagem, como a empresa de manutenção de aviões Cardiff Aviation e a cervejaria Trooper Robinson Brewery, Dickinson demonstrou certa experiência para falar sobre vida e morte das startups no mercado global.

"Muitas startups morrem no primeiro ano porque montam um escritório legal e cheio de coisas, mas esquecem de controlar os gastos. Você precisa começar pequeno e só quando estiver pronto começa a expandir", disse o cantor, com ares de analista de mercado.

Segundo dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 48,2% das empresas novatas no mercado nacional não sobrevivem ao primeiro ano de vida. São cerca de 260 mil empresas entrantes por ano, segundo o instituto.

Para Dickinson, a melhor forma de uma pequena empresa ou startup entrar no mercado é por meio de nichos pouco explorados. "Você precisa fazer algo diferente dos outros. Eu vi que as companhias aéreas precisavam de um serviço e resolvi oferecê-lo", revelou.

Outro conselho dado pelo metaleiro é algo que vem há bastante tempo sendo ventilado e absorvido pelo setor de tecnologia da informação: a diversificação de receita.

Assim como muitas empresas de TI passaram a oferecer serviços diversificados, como a migração progressiva de empresas de hardware e software para a área de serviços na nuvem, por exemplo, as companhias capitaneadas pelo artista tiveram de se reinventar para sobreviverem no mercado.

"Os serviços de torrent dizimaram as gravadoras. Tivemos de inventar alternativas para continuar ganhando dinheiro, como a venda de produtos licenciados e até a inauguração da cervejaria que leva o nome da banda no rótulo", disse.

Além disso, Dickinson investe parte de seus ganhos com o Iron e outros empreendimentos, como em startups de tecnologias sustentáveis, como transportes ecológicos e jatos eco-friendly, mais econômicos que muitos carros.

"Desde que adotamos esta estratégia, entre outras, nossa receita aumentou 25% na América Latina, por exemplo. A cerveja Trooper já atingiu a marca de 4 milhões de unidades vendidas e já é a segunda mais consumida na Suécia", completou.

Para o cantor, as empresas que atuam na área de TI, sobretudo as que estão em estágio embrionário, precisam observar que as marcas necessitam olhar para os clientes como se eles fossem fãs, ou seja, o relacionamento é determinante para o sucesso de um negócio.

"O que você pensa estar vendendo, toalhas, um serviço, software, o que seja, você não está. Você está vendendo uma única coisa, uma relação com o consumidor", finalizou.