Até pouco tempo, a atitude da AWS era ser a única nuvem no pedaço. Foto: Pexels.

A AWS está trabalhando em mudanças nas suas ferramentas de gestão que vão fazer com que seja mais fácil para os clientes usarem a nuvem da empresa em conjunto com ofertas da concorrência.

É o que garante o The Information, um dos sites mais influentes do Vale do Silício, citando fontes de dentro da AWS. A novidade deve ser anunciada no Reinvent, o evento mundial da companhia, em dezembro.

Um caso típico de uso seria o cliente que usa o Azure Active Directory, uma ferramenta popular da Microsoft para autenticar usuários, e poderia gerir o serviço pela AWS, revela o The Information.

Caso se confirme, essa será uma grande mudança de estratégia da AWS, companhia que é dominante no mercado de nuvem e mantém o discurso de que a melhor estratégia é concentrar o processamento de dados com um provedor - a AWS, é claro.

Um exemplo típico da atitude pode ser vista na palestra do CTO da Amazon no AWS Summit em São Paulo no ano passado. A mensagem foi clara: "Com multicloud você perde".

De acordo com o The Information, a AWS chegou a proibir seus parceiros de negócio de usar a palavra “multicloud” nos seus materiais de divulgação.

Uma mudança de rumo seria um reconhecimento da AWS de que seus clientes também usam serviços de rivais como o Azure da Microsoft ou Google Cloud, além dos seus próprios data centers privados.

De acordo com o Gartner, a AWS detém uma participação de 45% na oferta de infraestrutura de computação em nuvem. A Microsoft, por sua vez, saiu de uma fatia de 15,6%, em 2018, para 17,9%, em 2019. Há quatro anos, essa participação era de 8,7%.

Azure, Google Cloud e a IBM, através da compra da Red Hat, tem focado em oferecer ferramentas que permitem dividir as aplicações em diferentes partes e rodar elas em diferentes locais, a chamada tecnologia de containers.

As fontes do The Information não chegaram a abrir como o upgrade da AWS vai se comparar com esse tipo de tecnologia. 

A empresa já tem uma ferramenta chamada Systems Manager, que permite aplicar updates de software em servidores em outros provedores de nuvem.

A AWS já fez outros movimentos no passado no sentido de facilitar o uso de multicloud, como o Outposts, um equipamento que permite conectar a infra de data center o cliente com a nuvem pública da AWS.

Os players de cloud, incluindo agora a AWS, estão se mexendo para facilitar o uso integrado de soluções de nuvem em parte porque já existem startups oferecendo exatamente isso, principalmente na área de monitoramento de desempenho de aplicações.

No Brasil, por exemplo, existe uma verdadeira corrida de empresas consolidadas por startups com tecnologia nessa área.

Em outubro do ano passado, a Claro comprou 40% da Ustore, uma startup pernambucana com forte presença no campo de soluções para infraestrutura na nuvem,  a base tecnológica dos chamados ambientes multicloud.

Em 2016, a UOLDiveo adquiriu a Dualtec foi uma das primeiras empresas no Brasil a se posicionar como uma “cloud broker” e uma referência em OpenStack.

A Tivit fez um movimento igual meses depois, comprando a startup mineira One Cloud. Em 2018, foi a vez da Locaweb adquirir a sua startup de multicloud, com a compra da Cluster2Go.