Os EUA ainda contam com tarja magnética para a maioria das transações de cartões. Foto: Photobac/Shutterstock.com

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, emitiu uma ordem executiva exigindo que o governo federal emita novos cartões de crédito e débito com chip. Hoje, assim como a maioria dos cartões do país, os cartões que o governo usa para pagar benefícios ainda utilizam a tarja magnética.

A administração descreve a ordem como parte de um esforço para ajudar a “orientar o mercado para sistemas de pagamento mais seguros”.

Apesar de não acabarem com as fraudes, os cartões com chip e senha são projetados para reduzi-las. Na Grã-Bretanha, a adoção desse tipo de tecnologia reduziu drasticamente a incidência de alguns tipos de fraude de cartão. 

Os Estados Unidos são o único país rico que ainda conta com tarja magnética e assinatura para a maioria das transações de cartões de crédito. Ele também é o único em que o mercado de cartões de crédito falsificados ainda está crescendo consistentemente. 

Os varejistas, bancos e emissores de cartões perdera US$ 5,3 bilhões dólares com fraudes de cartão de crédito nos EUA em 2012 - cerca de metade do total mundial. 

A revista americana The Economist analisou algumas razões para o atraso do país em relação às tecnologias para cartões.

Para a Economist, o problema está no upgrade dos cartões. Existem mais de 1 bilhão deles em circulação nos EUA e o processo de mudança seria caro. 

Novos leitores custariam ainda mais. A atualização de todos os leitores no país custaria centenas de milhões de dólares, segundo a revista.

Mas a relutância dos Estados Unidos em adotar a nova tecnologia vai além dos custos iniciais. 

Há duas razões principais para a permanência do sistema atual, segundo a Economist. 

O primeiro é tecnológico. Durante a década de 1990, as empresas de cartão de crédito americanas ficaram muito melhores na detecção de compras potencialmente fraudulentas e na interrupção delas nos pontos de venda. 

Os concorrentes europeus não acompanharam esse processo, o que significa que a Europa tinha um incentivo maior para mudar para o chip. 

A segunda diferença é reguladora. Como as companhias europeias de cartão de crédito são responsáveis ​​por pagar a maior parte dos custos de fraude, elas têm um incentivo significativo para reduzi-la. 

As empresas de cartão de crédito americanas, que operam sob normas mais flexíveis, têm sido capazes de passar a maior parte do custo da fraude para os varejistas e até consumidores e, portanto, tiveram pouco incentivo para gastar o dinheiro para reduzir os custos de fraude. 

Como os varejistas são responsáveis ​​por uma boa parte dos custos de fraude nos Estados Unidos, eles estão liderando o caminho para fazer a mudança para chips. 

Home Depot, Target, Walgreens e Walmart - quatro das maiores redes do país - já fizeram a alteração, gastando uma grande quantidade de dinheiro em novos leitores de cartão. 

Em 2013, os brasileiros gastaram US$ 10,5 bilhões nos Estados Unidos, um valor 13% maior do que o do ano anterior. Pode ser que logo seja ainda mais fácil deixar o dinheiro no país, com os cartões de chip sendo aceitos em mais lojas americanas.