CRIME

Sequestros-relâmpagos agora “aceitam” Pix

27/08/2021 16:41

Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, a prática tem se tornado comum.

Foto: Banco Central do Brasil

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O estado de São Paulo tem registrado que os sequestros-relâmpagos estão “aceitando” uma nova forma de pagamento: a transferência via Pix.

Segundo levantamento feito pela Folha de S. Paulo, desde dezembro do ano passado foram registrados cerca de 202 sequestros em que os bandidos utilizaram o Pix para roubar dinheiro das vítimas.

Entre dezembro de 2020 e março de 2021, foram registrados 51 boletins de ocorrências narrando crimes do tipo. Entre abril e julho deste ano, o número saltou para 151.

Os crimes utilizando Pix são semelhantes aos tradicionais sequestros-relâmpagos, a não ser pela forma de pagamento utilizado pelos bandidos em que o valor em dinheiro cai na conta de forma instantânea.

De acordo com os policiais ouvidos pela Folha, o uso de transferência pelo Pix por criminosos tem se tornado muito comum.

Apesar das transações deixarem rastros, a polícia tem dificuldade em localizar o assaltante pois, na maioria das vezes, a quantia roubada é enviada para contas de laranjas, que logo são avisados. A tática é usada para evitar que o banco seja acionado e bloqueie o dinheiro.

O delegado ouvido na reportagem afirmou que, mesmo com o BO, os bancos nem sempre estão devolvendo o dinheiro às vítimas.

Essa não é a primeira vez que os brasileiros utilizam o Pix de uma forma inusitada. Em janeiro, o Baguete mostrou um caso de uso da plataforma para o envio de mensagens pessoais.

Na situação, uma mulher que foi bloqueada pelo ex-namorado em todas as redes sociais e apelou para o Pix para abrir um canal de comunicação, enviando sucessivas transferências de R$ 0,01 com mensagens pedindo desculpas por uma traição.

Em junho deste ano, um esquema de pirâmide utilizando o Pix viralizou nas redes sociais. 

Vídeos divulgando os chamados “grupos de Pix” no TikTok, chegando também ao Twitter e ao Instagram. Além disso, um aumento repentino nas buscas do Google relacionadas ao assunto foi registrado a partir de 6 de junho, sendo o Maranhão o estado com mais ocorrências.

O esquema se iniciava a partir da criação de um grupo, normalmente no aplicativo WhatsApp, em que pessoas podiam recrutar outros membros ao compartilhá-lo com amigos, conhecidos e seguidores nas redes sociais.

Cada um desses novos participantes teria de transferir uma quantia em dinheiro para seu anfitrião, entre R$ 1 e R$ 5. Depois disso, a pessoa seria promovida a “administrador“, podendo repetir o processo com seus amigos e conhecidos.

O Pix já atingiu a marca de 295 milhões de chaves cadastradas, com 87,6 milhões de cadastros feitos por pessoas físicas e 5,8 milhões de empresas. Somente em julho deste ano, foram feitas 741 milhões de transações, movimentando R$ 413 milhões de reais.

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