Kylle McDonald. Foto: Baguete Diário

O próximo grande hit da internet vai nascer das ferramentas da Canonical. É o que garante a própria sul-africana, empresa por trás do Ubuntu, uma das versões mais populares do mundo Linux.

“Nós criamos um ecossistema que os negócios do futuro utilizarão. Os próximos Facebook e Google são nossos”, declarou Kylle McDonald, vice-presidente de cloud da Canonical durante o fisl13, na quinta-feira, 26, em Porto Alegre.

O sistema inclui a grife Ubuntu em quase todas as instâncias da computação atual – desktops, servidores e a nuvem.

JUJU
A última cartada para atrair os empreendedores se chama Juju. Lançado em abril desse ano, o Juju é um serviço de desenvolvimento de software na nuvem, hospedado sob a licença AGPL.

O maior trunfo do Juju são as charms.

Trata-se de um sistema de gerenciamento de pacotes com protocolos que automaticamente configuram componentes de software hospedados em servidores.

Cada vez que os programas sofrem uma modificação relevante, independente de estarem em máquinas ou servidores diferentes, o Juju atualiza todas elas, se a charm for acionada para isso.

“De forma simples, automatizamos algumas coisas que os desenvolvedores tinham que fazer à mão. Queremos ajudar a criar um software melhor”, disse McDonald à plateia que lotou a palestra da Canonical no fils13.

Segundo o executivo, a ferramenta é compatível com múltiplos serviços de IaaS (Ubuntu, HP, Amazon, Microsoft) e arquiteturas (iOS, da Apple, RedHat e Windows, em produção).

O Juju reforça o atual carro-chefe financeiro da companhia – serviços na nuvem.

CLOUD CRESCE DOBRADO
A Canonical, que ganha dinheiro com prestação de serviços, não abre os dados de seu balanço desde 2009, quando o faturamento ficava ao redor de US$ 30 milhões, segundo artigo publicado por seu fundador, Mark Shuttleworth, no The New York Times.

Mantendo a política de sigilo, McDonald revela apenas que os serviços de cloud da empresa têm dobrado ano a ano desde maio de 2009, quando o Ubuntu One, marca da companhia na nuvem, foi lançado.

Entre os grandes clientes mundiais estão a AT&T e a Deutsche Telekom.

Além disso, o Ubuntu é, segundo o VP, uma das plataformas preferidas na Amazon Web Services.

DOIS NO BRASIL

“Estamos fechando agora dois clientes em cloud no Brasil, que ainda não posso revelar”, completou McDonald.

Fora da nuvem, a Canonical já tem entre os clientes no Brasil o MEC, o Exército, Serpro, Locaweb e o Buscapé, usando o Ubuntu em desktops e servidores.

A APPLE DO LINUX
Governos e grandes corporações à parte, a convicção de ser a plataforma dos empreendedores vem da colaboração que a comunidade deu ao modelo de negócios da Canonical, diz o chefe de Cloud.

“Começamos apostando forte no design para o desktop. Queríamos ser a Apple do Linux”, relembra McDonald.

À medida que a plataforma lançada em 2004 se popularizou entre usuários de PCs – a distribuição liderou o ranking do site de estatísticas do Linux DistroWatch de 2005 a 2010 e encerrou o ano passado na segunda colocação – o sistema foi sendo implementado em servidores, por usuários.

“Nós seguimos a corrente da comunidade e desenvolvemos um negócio ao redor dessa movimentação”, completa McDonald.

De acordo com o executivo, a nuvem seguiu os mesmos passos.

“É por isso que temos certeza que a próxima grande novidade será criada em Ubuntu. Sempre colaboramos com a comunidade, e em qualquer coffee shop que eu vá no Vale do Silício, as pessoas usam o Ubuntu para programar, criar e inovar”, finaliza.