Brincadeira. Investidores anjo não costumam andar fantasiados. Foto: flickr.com/photos/gigaboss

O chamado “investimento anjo”, aportes de pequeno porte em startups feito por pessoas físicas, parece ter batido no teto no Brasil, tendo registrado uma queda em volume de 0,4% no ano passado, quando ficou em R$ 979 milhões no total.

O dado é da pesquisa anual realizada pela associação Anjos do Brasil, que reúne investidores com esse perfil. É a primeira vez que o indicador tem uma queda, desde o começo do levantamento, em 2010. Ainda em 2017, o crescimento era de 16%.

No entanto, o número de investidores subiu 1,8% chegando a 7750 e com base nas projeções dos investidores, a expectativa é fechar 2019 com crescimento de 5%. 

O volume de investimento no Brasil é apenas 1,2% do que é investido em startups nos Estados Unidos que somam aproximadamente U$ 23,1 bilhões anualmente

Diferentes fatores podem explicar a queda nos investimentos. Um o perfil de parte dos investidores, que preferem investir naquilo que já conhecem, em startups do seu networking pessoal, gerando um ciclo de investimentos mais limitado que pode estar se esgotando.

O estudo aponta que em 2018, o número de investidores proativos aumentou e o volume de investimento se manteve estável. Já entre os investidores passivos, caiu tanto em número de investidores, quanto em volume de investimento.

Outra, mais preocupante, é que pessoas com dinheiro sobrando para investir estão usando ele para sair do Brasil, com destaque para Portugal, um destino popular para brasileiros que podem receber um visto depois de fazer uma aquisição de imóvel, por exemplo. 

"Somente no ano passado 36 mil, dos 180 mil investidores que possuem mais de 1 milhão de dólares emigraram do país. Em Portugal, um levantamento aponta que foram investidos, por brasileiros, cerca R$ 1 bilhão de dólares em imóveis e isso evidencia esta evasão que sentimos no ano passado", explica Cassio Spina, presidente da Anjos do Brasil.