Marcelo Pagotti. Foto: Greice Mere/Ministério do Planejamento.

O governo federal criou uma figura equivalente a um CIO, responsável por controlar os gastos com a compra de bens e serviços de 220 órgãos integrantes do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação.

A posição será ocupada por Marcelo Pagotti, secretário de Tecnologia da Informação e Comunicações do Ministério do Planejamento. 

A novidade foi introduzida por meio de um decreto do presidente Michel Temer publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira, 24.

A esfera de influência do novo “CIO” inclui todos os ministérios e órgãos vinculados, fundações e universidades federais, além de outros organismos ligados à administração pública federal.

“O motivo da centralização é dar muita sinergia e unificação dos departamentos. Não dá mais para pensar a TI fragmentada na Esplanada”, disse Pagotti ao site Convergência Digital. 

Pagotti, no cargo desde maio do ano passado, fez carreira na área de TI do Banco do Brasil.

Em declarações ao site brasiliense, Pagotti explica que a secretaria deverá concentrar contratos nos quais há possibilidade de escala, como já vinha sendo feito por meio de compras coletivas, e que o processo se dará por “convencimento” não “imposição”.

Um exemplo nesse sentido é a licitação para contratação de serviços de computação na nuvem no valor de R$ 16 milhões em nuvem coletiva para 40 órgãos federais.

Em julho, a secretaria de Tecnologia da Informação, do Ministério do Planejamento já havia orientado os órgãos públicos a não investirem mais em infraestrutura própria, recomendado a contratação de computação em nuvem.

Essa movimentação e outras recentes sinalizam a estratégia do governo Temer de desmantelar gradativamente a visão petista da estratégia de TI do governo federal, dando preferência para fornecedores privados. 

Ainda em 2012, o Serpro, estatal federal de processamento de dados, investiu R$ 40 milhões em duplicar seu data center de Brasília, e anunciou outros R$ 180 milhões para a construção de um novo centro em São Paulo.

O conceito era que o Serpro deveria ser o provedor de computação em nuvem para o governo, como uma prolongação da estratégia de desenvolvimento interno  de tecnologia baseada em software livre visando a “independência tecnológica” frente aos grandes fornecedores multinacionais de TI.

Com a figura do CIO, o governo federal tem agora mais um instrumento para enquadrar eventuais focos de resistência à nova orientação.