Vem aí uma nova encarnação do Concorde? Foto: flickr.com/photos/gizmo_bunny/

A Boom é uma startup americana com um plano ousado: ressuscitar a aviação em velocidades supersônicas, um tipo de viagem hoje associado com o glamour (e com o fracasso) do Concorde.

Novos materiais compostos que permitem menos consumo de combustível e planos de marketing mais realistas serão a chave do sucesso da nova empresa, segundo esteve explicando no SolidWorks World Mike Jagemann, responsável pela produção do XB-1, o protótipo do avião, que deve estar pronto até 2020.

“Estamos partindo do design do Concorde que era muito bom tecnologicamente. Mas isso não é tudo para ter sucesso comercial”, explica Jagemann.

A primeira diferença é que a Boom está pensando em aviões menores, para 50 passageiros, enquanto o Concorde estreou em 1973 com veículos com entre 92 e 123. 

A Boom quer desenvolver tecnologia que permita às empresas de aviação cobrar US$ 5 mil pela viagem de ida e volta entre Londres e Nova Iorque, enquanto o Concorde chegou a cobrar US$ 20 mil em valores ajustados pela inflação, 30 vezes mais do que uma passagem normal.

A demanda projetada é apenas para rotas sobre o oceano. Um dos problemas do Concorde foi ser banido para voos sobre espaços habitados, devido aos problemas de poluição sonora.

Também é verdade que a Boom não deve enfrentar os desafios do pioneirismo, que levaram o Concorde, cujo custo inicial era previsto em £ 70 milhões, a sair por nada menos que £ 1,3 bilhões, 18 vezes mais que o custo previsto

Os governos da França e do Reino Unido acabaram abraçando o projeto.

Só 20 Concorde foram feitos, operados pela British Airways and Air France, que insistiram bastante: apesar do avião estar no imaginário coletivo como um dos símbolos dos anos 70, a última rota só fechou em 2003.

(Só existiu outro avião supersônico operado comercialmente: o soviético Tupolev Tu-144, que funcionou com serviço para passageiros entre 1977 a 1978).

A Boom é produto de um cenário muito diferente. Uma ex-incubada da famosa Y Combinator, ela já levantou US$ 51 milhões em capital de risco em 2017.

Entre os investidores estão a Virgin Airlines e Japan Airlines, que tem opções para comprar os aviões no futuro.

A equipe que está desenhando o protótipo usa tecnologias de CAD, PDM, simulação e realidade virtual da SolidWorks, que apoiou a empresa desde o começo pelo seu próprio programa de incentivo de startups.

A promessa da aviação supersônica segue tão atraente como sempre. Nessa velocidade, um voo entre Nova Iorque e Londres poderia ser feito em 3h15. São Francisco e Tokio estariam separados por 5h30.

Agora é esperar para ver se dessa vez dá certo.

* Maurício Renner viajou a Los Angeles para o SolidWorks World a convite da SolidWorks.