Cruzeiro acredita na TI. Foto: divulgação.

No exterior, o uso de TI na gestão administrativa e esportiva dos clubes de futebol não é nenhuma novidade. Clubes como Manchester City, Hoffenheim e outros já fazem isso há anos. Vale lembrar também a seleção alemã, que usou soluções SAP para incrementar seu desempenho, o que ajudou a levar a taça da Copa do Mundo 2014. Mas TI, de fato, deveria ser mais explorada pelos times de futebol no Brasil?

Para responder a pergunta, entra em campo o Cruzeiro, atual bicampeão brasileiro e finalista da Copa do Brasil, onde enfrenta nesta quarta, 26, o arquirrival Atlético-MG. Se depender de Aristóteles de Paula Lorêdo, CIO do Cruzeiro Esporte Clube, a resposta para essa pergunta é um sonoro SIM. 

“Os clubes brasileiros, como toda e qualquer empresa, necessitam de software de gestão”, diz o executivo, para adicionar: “É inadmissível gerir uma empresa sem ERP, CRM, BI e porque não business analytics”, completa Lorêdo.

O clube mineiro implementou uma primeira versão de seu ERP no ano 2000 quando a solução ainda era oferecida ao mercado pela RM Sistemas. Hoje, esse sistema representa 60% das informações que o BI recebe diariamente sendo que os outros 40% vem dos legados de desenvolvimento próprio.

A ferramenta passou por diversas evoluções ao longo dos anos e atualmente é composto por módulos de gestão de estoques, compras e faturamento; gestão financeira; contábil; fiscal; patrimonial; folha de pagamento; RH; automação de ponto e colaboração.

Nesses 14 anos, seja pelo uso da tecnologia ou não, o Cruzeiro obteve diversas conquistas: abocanhou dois Campeonatos Brasileiros (2003 e 2013), duas Copas do Brasil (2000 e 2003), duas Copas Sul-Minas (2001 e 2002), além de sete campeonatos regionais. 

Essa lista acima não conta o recém-conquistado título do Campeonato Brasileiro, que o clube levou por antecipação no último domingo, 23, e a chance do clube levar o tricampeonato da Copa do Brasil.

O destaque dado à TI a partir do case da seleção Alemã tende a gerar um movimento positivo quanto a adoção de tecnologias por parte dos clubes nacionais. Pelo menos é isso que se espera, uma vez que os times brasileiros tem muito a colherem em termos de amadurecimento e processos de gestão em todas frentes de seu negócio. 

O fato é que a competição por fornecer tecnologias para esse segmento de mercado se acirrou ao longo dos últimos meses. Totvs e SAP se esforçam para ampliarem sua penetração junto a esse público.

Enquanto a provedora brasileira aparentemente tem a vantagem de estar mais familiarizada com o modelo e mais aderente ao estágio de evolução do mercado local; a alemã apoia sua abordagem em uma ferramenta robusta e capazes de recursos surpreendentes quando aplicada não apenas no back office, mas também dentro do campo – como pode ser visto nos cases do TSG 1899 Hoffenheim e do Bayern de Munique. 

Lorêdo aconselha que fornecedores de TI enxerguem os clubes não sobre a ótica de “fábrica de dinheiro fácil”, considerando apenas os altos salários pagos aos atletas. “Nem todos os clubes consideram tecnologia como investimento, mas sim como custo”, observa o CIO, sinalizando que o futebol, em mais um aspecto, não se diferencia tanto assim de outras indústrias.

O conselho do executivo aos que querem se aventurar nessa frente é observar essa indústria para além dos onze jogadores que entram em campo duas vezes por semana. “De empresa de futebol a maioria dos fornecedores só conhece a emoção do torcer pelo seu time”, conclui.

À parte dos comentários de Lorêdo, é preciso reconhecer que os clubes brasileiros estão cada vez mais atentos à necessidade de profissionalizar seus processos de gestão através da TI.

Clubes como o Palmeiras, Botafogo e a dupla Gre-Nal também investiram em ERPs. Assim como o Cruzeiro, Botafogo e Inter usam soluções da Totvs em seus processos administrativos. O verdão paulista, que inaugurou na última semana sua nova arena, adotou em dezembro do ano passado o SAP Business One, solução de gestão para pequenas empresas da companhia alemã.

Já o Grêmio foi além do uso de sistemas de gestão. Em julho, o tricolor anunciou um processo de implantação de tecnologias SAP em seus segmentos de administração e futebol, baseados em processamento em Hana.

O SAP Hana, que emprega alto poder de processamento e banco de dados em uma plataforma unificada, será a cama para o desenvolvimento de aplicações a serem usadas tanto pelos dirigentes de futebol, comissão técnica e membros do conselho administrativo do clube.

Com a implantação,  o Grêmio utilizará o ERP da SAP, agregando módulos como o de finanças, marketing, controle de sócios, entre outros. A venda das licenças ficou por conta da ITS Group.