Michel Temer recebeu as propostas do setor de TI. Foto: Sindpd.

O Sindpd, sindicato paulista de trabalhadores de processamento de dados, embarcou na proposta da Brasscom para o setor de TI brasileiro, entregue nesta quinta-feira, 25, ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).

O documento, batizado “Por um Brasil Digital e Competitivo”, que reúne 50 demandas de empresas do setor de TI, já havia recebido a adesão da Assespro Nacional e da Abes. O Sindpd é a primeira entidade não ligada a empresas de TI a endossar as propostas.

Nas suas manifestações durante o encontro, no entanto, o presidente do Sindpd, Antonio Neto, trouxe a baila a sua própria agenda, defendendo a semana de 40 horas, uma medida que não está no documento da Brasscom, e, logicamente, não faz parte da pauta empresarial para o setor.

Para ser justo, é preciso dizer que Neto também falou sobre a política de desoneração da folha de pagamento do setor do TI, medida da qual o sindicato paulista foi defensor de primeira hora, ainda em 2010.

O maior sindicato de TI do Brasil, com 55 mil associados, o Sindpd é um reforço importante para à frente, principalmente frente a um eventual governo petista. Neto foi endossado pelo ex-presidente Lula nas últimas eleições da entidade. 

Temer, até o ponto em que possível levar a sério esse tipo de compromissos em época de eleições, comprou a proposta.

“Desde o meus tempos na presidência da Câmara já verificava este entusiasmo no poder Legislativo, que é muito sensível às modernizações fundamentais para o país. Eu quero tomar a liberdade de me transformar em advogado desta causa de vocês”, afirmou Temer.

A comitiva tratou de impressionar o vice presidente com números levantados pela Brasscom, dando conta que o  TI e telecom combinados faturam cerca de R$ 441 bilhões por ano no país, sendo o 5º maior setor agregado do mundo e representando 8,8% do PIB nacional. 

De acordo com as projeções do presidente da Brasscom, Sérgio Paulo Gallindo, a expectativa é que o plano consiga atrair mais de três milhões de empregados em TIC, e que este mercado seja responsável por 10,7% do PIB até 2022.

A Brasscom não libera a íntegra das demandas do documento para a imprensa, mas ele inclui a desoneração tributária para os investimentos e a operação de centros de dados, a simplificação dos Processos Produtivos Básicos (ou PPB, o regime que concede incentivos fiscais à produção de equipamentos no Brasil) e a aceitação de propriedade intelectual como garantia para financiamentos bancários e os incentivos à inovação tecnológica.

As propostas já foram apresentadas pela Brasscom aos comitês de campanha do então candidato à presidência Eduardo Campos (PSB)  e a Alexandre Padilha (PT), candidato ao governo de São Paulo. Temer recebeu o documento por Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência. Ele também deve ser entregue a Aécio Neves (PSDB).