DEVOPS

PayGo migra para Github com Ilegra

26/07/2021 15:14

A companhia utilizava o BitBucket para a parte de repositório, além de usar o Jenkins.

Foto: divulgação.

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A PayGo, empresa de meios de pagamento que faz parte da Carbon Holding, detentora do C6 Bank, aderiu à plataforma do Github, o maior repositório de projetos de programação do mundo, por meio da porto-alegrense Ilegra.

Até então, a companhia utilizava o BitBucket, plataforma da Atlassian, para a parte de repositório, além de usar o Jenkins para Integração contínua (CI, na sigla em inglês) e entrega contínua (CD). 

Segundo Henrique Machado Chaves, gerente de tecnologia da PayGo, o GitHub pareceu uma boa ideia pela adesão do mercado e pelo engajamento gerado nas equipes.

“Ele é uma ferramenta bem aceita. O próprio time de engenharia já estava fazendo essa movimentação sobre a possibilidade de migração e a gente poderia tirar muita coisa do Jenkins para dentro do Git Actions, que viria junto com o GitHub, o que ficaria bem mais fluido para nós”, conta Chaves.

Como o time da empresa é reduzido, a ideia era trazer um parceiro que pudesse ajudar a equipe interna a se preocupar menos com tarefas do dia a dia, como suporte, contas, contratos, como fazer e quem acionar.

Foi então que a companhia buscou parcerias no mercado e chegou à Ilegra, adotando a versão corporativa do GitHub, que tem funcionalidades adicionais de segurança, governança, além de controles de versão, colaboração, gerenciamento de projetos e controle de workflows.

Para isso, a PayGo utiliza a infraestrutura em nuvem provisionada pela GitHub.

De acordo com o gerente, a movimentação foi muito rápida junto aos times técnicos das duas empresas. As conversas começaram por volta do final de abril de 2020 e, em outubro, a migração já estava acontecendo.

“Não vou falar para você que a gente fez uma baita pesquisa e que estudamos. Foi aquela coisa de tecnologia de ‘vamos fazer? vamos!’. E, dois meses depois, tinha o time de engenharia quase todo engajado para poder fazer o negócio acontecer”, conta o gerente de tecnologia da PayGo.

Na migração, o time de infraestrutura e SRE aproveitou o momento para fazer um trabalho em conjunto com toda a área de tecnologia da empresa. 

“Todo mundo participou direta ou indiretamente dessa migração e a gente aproveitou esse tempo também para arrumar um pouco a casa. Ver o que a gente deveria deixar para trás”, conta Rafael da Silva Martins, especialista de SRE.

Basicamente, cada squad ficou responsável por levar para o GitHub aquilo que julgou necessário no momento, priorizando projetos que estavam realmente em curso para utilizar as funcionalidades da plataforma.

“É uma prática muito comum entre os desenvolvedores ter uma ideia, criar um repositório, colocar lá dez linhas de código, acabar esquecendo e não dar continuidade. A gente aproveitou esse momento justamente para limpar essas coisas e deixar essas ideias armazenadas em outro local”, explica Martins.

A parte de repositório de códigos do projeto (que antes estava no BitBucket) está concluída e, até agora, a migração do que estava no Jenkins foi na parte de CI do GitHub Actions, que é a proposta do produto, incluindo integração de testes e análise de segurança.

A equipe ainda deve fazer a entrega do CD, mas está segurando essa parte por algumas funcionalidades — consideradas muito interessantes pelo time e já utilizadas na plataforma antiga — que o road map do GitHub propõe até setembro. 

“Sempre tem aqueles 20% que são muito complexos de se fazer, tecnicamente falando. Em algumas coisas, a gente fala ‘olha, para fazer esse pedaço eu vou precisar parar, reestruturar, desenvolver e adequar muita coisa’, e demos uma segurada”, explica Chaves. 

Segundo o gerente, isso acontece por timing e prioridades da equipe, pois é preciso fazer o trabalho sem onerar nenhum time nem prejudicar as entregas que precisam ser feitas para a companhia, o planejamento, os objetivos e os resultados-chave (OKRs, na sigla em inglês). 

A equipe utiliza o modelo de squads com algumas adaptações para a sua realidade, dada a complexidade do segmento do mercado financeiro, que possui muitas normas e questões regulatórias. 

Normalmente, as squads contam com desenvolvedor, analista de qualidade e profissional de dados, por exemplo, que têm autonomia dentro do possível desde a concepção até a entrega do produto. 

Essa mudança para o desenvolvimento ágil aconteceu na companhia quando ela virou PayGo, em 2018. Anteriormente, ela era uma empresa chamada NTK, que foi adquirida pela holding C6 Bank na ocasião.

Assim, a PayGo também envolve a holding do C6 Bank e outras companhias, que acabaram abrindo um pedaço do código delas.

Segundo a fintech, de outubro para cá a comunidade do GitHub tem ajudado muito nas práticas DevOps, principalmente pela aceitação e pela visibilidade que a plataforma tem. 

“Eu posso fazer um pull request para o mundo e eu ganho essa visibilidade. São pessoas de outras empresas e outros lugares do planeta vendo meu código e comentando, e eu podendo fazer o mesmo. Isso conta bastante para a jornada DevOps”, explica o gerente de tecnologia. 

Assim, a plataforma ajuda o desenvolvedor a ir mais para o Ops sem necessitar que isso seja solicitado, o que ajuda na sustentação do que ele está construindo.

O analista que está na sustentação da operação, por sua vez, consegue dar ao desenvolvedor a visão de código, de onde e como rodar mais facilmente.

“De forma geral, se eu tivesse que dar uma palavra para resumir tudo, é comunidade. A comunidade do GitHub é muito forte, e integra todo mundo de tecnologia. No geral, esse público de tecnologia gosta de ter esse abraço da comunidade”, destaca Chaves.

Na opinião de Anderson Vasconcelos Sant'ana, coordenador e techlead do time de SRE, "o BitBucket já atendia muitas coisas que a gente precisava, mas, no dia a dia, houve uma evolução tremenda na parte do CI".

Para construir qualquer tipo de integração nova ou qualquer tipo de análise estática de código no Jenkins, os profissionais chegavam a usar 20, 30 ou 40 linhas, enquanto no Actions eles conseguem o mesmo com cinco linhas. 

“Como o GitHub já é uma plataforma de código aberto antiga e bem difundida no mundo inteiro, tem muita coisa pronta, o que agiliza muito as novas integrações. A linguagem é muito mais simples, usa menos código, e acaba que a gente ganha muito mais tempo”, avalia Sant'ana.

Com origem em 2002, a PayGo atua com soluções em produtos e serviços financeiros para estabelecimentos comerciais físicos e vendas on-line, aceitando pagamento de cartões, carteiras digitais e Pix.

A fintech possui mais de 1,3 mil parceiros homologados com as suas soluções, mais de 143 mil terminais ativos e já realizou mais de 180 milhões de transações, com volume transacionado de 19 bilhões.

Também fundada em 2002, a Ilegra é uma empresa de design, inovação e software que se tornou parceira do GitHub em 2019. A companhia tem escritórios em São Paulo, Porto Alegre, Miami e Lisboa.

Entre os seus clientes, estão nomes como Bradesco, Cielo, Sapore, Agibank, Embraco, Whirlpool, Thomson Reuters, AGCO, Sompo, Movile, Bradesco e Fiat Chrysler.

O GitHub é uma versão online do Git, um software de controle de versões de software para trabalho em equipes criado pelo em 2005 por Linus Torvalds para controlar o desenvolvimento do kernel do Linux.

O serviço entrou no ar em 2008 e, dez anos depois, a Microsoft pagou US$ 7,5 bilhões pela empresa.

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