Luis Gerbase. Foto: Baguete

Software livre é a ordem nos sistemas embarcados nos equipamentos controladores da empresa gaúcha de automação Altus, garante Luis Gerbase, presidente da companhia e diretor regional da Abinee.

“Das máquinas utilizadas na Gerdau e na Usiminas aos smartgrids de algumas companhias de energia elétrica, tudo roda open source”, afirmou o executivo em palestra no fisl13, na quarta-feira, 25, em Porto Alegre.

PRÉ-SAL LINUX
Hoje, acrescenta o executivo, dos 60 funcionários dedicados à pesquisa e desenvolvimento na Altus, 19 trabalham exclusivamente com o software embarcado, e entre os projetos desta área baseados em Linux estão duas plataformas da Petrobras.

A Altus venceu os contratos para atender à petrolífera ainda no ano passado, envolvendo trabalhos na Bacia de Campos, nas plataformas P-58 e P-62, que rodarão open source em seus controladores assim que entrarem em funcionamento.

Além disso, outras oito plataformas também terão painéis feitos na Altus.

OS DOIS MUNDOS
Gerbase esclarece que, apesar da aposta no open source ser forte, não é única.

No final do ano passado, por exemplo, a empresa gaúcha incorporou a tecnologia .NET Framework, da Microsoft, à plataforma Pulse, voltada a aplicações Scada (sigla inglesa para Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados) e lançada em parceria com a israelense Afcon.

MISSÃO CRÍTICA
Ainda assim, nos pontos de missão crítica em que a Altus avalia a necessidade de maior controle, a companhia usa open source, garante Felipe Zanon, supervisor de software da empresa gaúcha.

E “crítico”, nesse caso, não é apenas um termo da indústria.

“Se o software embarcado de um controlador de avião der problema e em vez de subir ele descer, dá pra imaginar o estrago”, avalia Zanon.

PROGRMADOR, EMBARQUE NESSA
De acordo com Gerbase, a Altus é apenas uma das mais de 100 empresas, apenas no Rio Grande do Sul, que usam esses sistemas em seus produtos, fazendo dessa tecnologia um bom nicho de trabalho.

“É um mercado excelente, com vagas e ótimos benefícios para a carreira”, sugere o executivo. “Esse profissional vai mais longe porque o trabalho dele é mais difícil. Ele tem que entender muito bem o hardware da máquina e também de técnicas de gestão de projetos”, complementa.

PERFIL EXIGENTE
Para o professor do Instituto de Informática da Ufrgs Luigi Carro, também participante do fisl13, para trabalhar com  software embarcado não se pode ser um programador generalista.

“Quem faz um programa para rodar num PC pensa numa genérica. Tantos de RAM, mais tantos de processador, com uma certa margem de variação que melhora o desempenho nas máquinas mais potentes. No embarcado, o programa roda sob medida, num processador menor”, resume Carro.

Na prática, acrescenta o professor, é fundamental conhecer eletrônica digital e analógica, além d programação para sistemas operacionais em tempo real, ou RTOS – softwares destinados à execução de múltiplas tarefas.

Nos RTOS, o tempo de resposta a um comando é pré-definido, como nas “gavetas” de CD e DVD de computadores, por exemplo.

QUEM NÃO SE COMUNICA...
O supervisor de software na Altus acrescenta ao perfil necessário o inglês fluente e a boa habilidade de comunicação.

“Esse programador não pode se trancar numa peça escura por meses e sair de lá com o código pronto. Ele tem que conversar com o colega do lado e com o fornecedor fora do país”, diz Zanon.

DESAFIO DA FORMAÇÃO
Hoje, conforme Zanon, muitos dos profissionais que trabalham nessa área vêm da eletrônica ou da engenharia e acabam sendo formados dentro da Altus.

“É um desafio encontrar gente pronta no mercado”, lamenta Zanon.

Devido à carência de mão de obra no nicho, um curso voltado para os softwares embarcados deve se iniciar na Faculdade Senai de Tecnologia no próximo ano, com vestibular previsto para janeiro.

Rafael Bezerra de Oliveira, professor da faculdade Senai, diz que o curso foi uma demanda que partiu da própria indústria.

O curso, ainda em fase de aprovação, deverá ter três anos e meio.