CONTABILIDADE

Alterdata faz fusão com Prosoft

26/02/2021 13:15

Com o negócio, Wolters Kluwer fica com uma participação minoritária. Mercado de software contábil está agitado.

Ladmir Carvalho, CEO da Alterdata.

Tamanho da fonte: -A+A

A Alterdata, uma das maiores empresas de gestão para escritórios contábeis no Brasil, fechou um acordo com a Wolters Kluwer pelo qual a empresa vai se fundir com a Prosoft, outra companhia brasileira adquirida pela Wolter Kluwers em 2013.

A Wolter Kluwer terá uma participação de 11,7% na nova empresa, que deve ser formalmente constituída nas próximas semanas.

Não foi revelada a composição societária ou detalhes do negócio, mas provavelmente a Alterdata vai liderar a nova empresa, porque é de longe a maior das duas. A Prosoft tem 210 funcionários e um faturamento de € 10 milhões, algo em torno de R$ 67,5 milhões, segundo informou a Wolters Kluwer em um comunicado para a Bolsa de Amsterdam, onde tem ações listadas.

A Alterdata, sediada em Teresópolis, no Rio de Janeiro, tem seu carro chefe no segmento contábil. A empresa tem 1,8 mil funcionários, 53 mil clientes ativos e faturou R$ 196 milhões em 2020.

"Poderemos expandir a operação, trazendo oportunidades para que as empresas combinadas ofereçam uma gama mais ampla de soluções e proporcionem uma experiência aprimorada aos clientes", afirma o CEO da Alterdata, Ladmir Carvalho.

A Wolters Kluwer Tax & Accounting, divisão focada em sistemas para contabilidade da multinacional holandesa, comprou a Prosoft em 2013, por um valor não revelado.

Na época, a Prosoft tinha 250 funcionários e atendia uma base de 150 mil usuários.

Carlos Meni, empresário que fundou a Prosoft em 1985, passou a liderar a nova Wolters Kluwer Plusoft no Brasil, até ser substituído em 2016 por Roberto Regente. 

Regente, um executivo de TI com passagem por grandes empresas como a Citrix, Microsoft e RSA, saiu em 2018. A reportagem não conseguiu averiguar se alguém ocupou a posição desde então.

Pelo que dá para ler nas entrelinhas, a Wolters Kluwer fez uma aposta no Brasil, comprando uma empresa local para ganhar espaço, tentou uma troca de comando e agora está indo para segundo plano, se contentando com uma participação em um novo negócio liderado pela Alterdata.

Vale lembrar que a Wolters Kluwer tem outras divisões, uma delas focada em saúde por exemplo, com uma atuação independente e cuja presença no Brasil segue inalterada.

A trajetória da Wolters Kluwer no mercado de sistemas para contadores no Brasil segue quase passo a passo à da Sage, uma multinacional britânica que fez uma aposta similar ao comprar 75% paulista Folhamatic em 2012 por R$ 400 milhões.

Depois, a Sage gastou algo próximo a R$ 50 milhões para adquirir as paranaenses Empresa Brasileira de Sistemas (EBS), sediada em Curitiba, e Cenize Informática, de São José dos Pinhais.

No ano passado, a Sage decidiu passar os negócios adiante, alegando problemas de compactibilidade tecnológica. Jorge Carneiro, um executivo de carreira da própria empresa comprou as três empresas, pagando £ 1 milhão à vista, e outros £ 9 milhões em um prazo e condições não reveladas. Uma barbada.

Nem todas as grandes deram para trás, no entanto. A Thomson Reuters, por exemplo, comprou e mantém uma dezena de empresas no Brasil, incluindo aí a Domínio, companhia catarinense que está entre as grandes no segmento de escritórios de contabilidade.

Quando da compra, em 2014, a Domínio tinha 653 colaboradores, 16 mil clientes e um faturamento na casa dos R$ 60 milhões.

De acordo com dados do Conselho Nacional de Contabilidade, existem no Brasil 491 mil profissionais registrados e 82 mil escritórios ativos. 

É um mercado grande, atendido em grande parte por players de nicho na ativa desde os anos 80, como a Folhamatic, Prosoft, Domínio e Alterdata.

Nos últimos tempos, novos players nacionais como a ContaAzul, de Joinville, também estão assediando os contadores, visando convertê-los em parceiros na venda de sistemas de gestão na nuvem para pequenas empresas, recebendo para isso muito dinheiro de fundos de investimento.

O grupo de novos players, aliás, recebeu recentemente o reforço Maurício Frizzarin, que fundou uma nova companhia focada no setor, a Qyon Tecnologia, com planos de investir R$ 100 milhões até o final de 2021.

Outra novidade é a Totvs, de longe o maior player brasileiro de ERP, acaba de montar a Eleve, uma nova divisão voltada para competir no mercado de sistema de gestão na nuvem para pequenas empresas, com um canal de vendas baseado em contadores.

A Totvs está indo com força atrás dos contadores, oferecendo uma comissão de até 50% aos profissionais que venderem assinatura de seu sistema aos seus clientes, uma porcentagem que a empresa promete manter para sempre, o que é um ataque direto ao modelo de negócios da ContaAzul, de usar os contadores como porta para o mercado geral.

Software de gestão contábil, quem diria, é um campo cheio de emoções.

Veja também

SOFTWARE
Alterdata fatura R$ 160 milhões, alta de 6%

Empresa carioca está atravessando bem a crise econômica.

COMPRA
Omie faz sua primeira aquisição

Escolhida foi a Mintegra, que faz integração com marketplaces e plataformas de e-commerce.

ERP
Widepartner compra Cora

Portugueses compram parceria da Sage no Brasil de olho no mercado X3.

VOLTA
Fundador da Folhamatic tem nova empresa

Maurício Frizzarin projeta investir R$ 100 milhões até o final de 2021.

ELEVE
Totvs ataca mercado de startups de ERP

Nova oferta da gigante parece focada em competir com Omie, ContaAzul e Contabilizei.

RETORNA
Camila Vidmontas volta para a KeepTrue

Depois de vender empresa para a Avalara, fundadores criam o negócio de novo.

ACORDO
Sage tem novo dono no Brasil

Presidente da empresa no país compra operação da matriz inglesa.

ERP
Joint venture quer tirar X3 do chão

Software de gestão da Sage ainda não emplacou. Xplor e TechTrends querem mudar isso.

GESTÃO
Intuit tem novo country manager no Brasil

Davi Viana tem um histórico no mercado de micro e pequenas empresas.

APORTE
Asaas levanta R$ 37 milhões

Rodada foi liderada pela Inovabra Ventures, do Bradesco, e teve participação da Parallax Ventures.

REFORÇO
Aurora Suh é CRO na Omie

De olho em clientes maiores, companhia de ERP na nuvem traz ex-Totvs e Linx.

LISTA
10 possíveis unicórnios brasileiros

Fintechs, empresas de mobilidade e plataformas imobiliárias estão entre as favoritas.

CARREIRA
Borges, ex-CTO da ContaAzul, está na ClickBus

Profissional chega em um momento chave para o site de vendas de passagens rodoviárias.