Letícia Batistela.

Letícia Batistela, presidente da Assespro-RS, assumiu a presidência do CETI, conselho de entidades de TI do Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira, 25.

A advogada e empresária substitui o diretor presidente da Softsul, José Antônio Antonioni. Os mandatos do CETI são de um ano, exercidos em rotação pelas principais entidades de TI do estado.

Letícia adianta que seu objetivo é que o CETI seja um catalisador das demandas do setor de TI além de protagonizar o debate sobre soluções de inovação para Porto Alegre.

Já no mês de março, lideranças da entidade vão se reunir com a secretaria da Fazenda e gestores públicos para levas as proposições do setor de TI, especialmente questões como a cobrança de ICMS sobre software.

“Estamos em ano de eleições municipais e queremos propor um debate profundo com os candidatos sobre o tema da inovação”, antecipa Letícia.

Nas últimas duas eleições para governador no Rio Grande do Sul e na última eleição municipal, o CETI promoveu encontros de empresários com alguns dos principais candidatos.

O CETI foi fundado em 2004 por entidades como Seprorgs, Assespro-RS, Internetsul, Sucesu-RS e Softsul, entre outras, com objetivo de servir como uma plataforma de articulação dos interesses das diferentes organizações participantes.

A entidade se manteve operacional desde então, realizando encontros mensais e operações conjuntas como os encontros com os candidatos e presença conjunta em feiras.

No entanto, é possível dizer que o CETI falhou, se julgado pelo objetivo inicial de unificar o discurso das entidades de TI em um ponto focal único, gerando com isso mais influência política da área frente ao governo.

Dois casos recentes mostram isso. Em julho desse ano, a BITS, feira irmã da alemã Cebit realizada em Porto Alegre, decidiu cancelar sua edição 2015, gesto que provavelmente encerrou a trajetória do evento no Rio Grande do Sul.

Embora a capacidade de influência do CETI no sucesso da feira fosse relativa no melhor dos casos, também é verdade que a entidade conseguiu exercer pouca influência positiva no resultado do evento, um marco para a tecnologia do Rio Grande do Sul.

Em 2014, o governo José Ivo Sartori (PMDB), decidiu fechar a a secretaria de Ciência e Tecnologia e incorporar suas atividades à área de desenvolvimento.

A Secretaria de Ciência e Tecnologia era tradicionalmente uma área de influência para o setor de TI no governo de estado e o fechamento foi visto como um desprestígio para a área. O CETI não chegou a fazer um posicionamento público sobre o tema.

Sob a direção de Letícia Batistela, a Assespro-RS tem sido bem sucedida em influenciar algumas discussões relativas ao tema de tecnologia em Porto Alegre.

Um exemplo foi a chegada do Uber na capital gaúcha. Em determinado ponto, o clima ficou pesado entre o app (que mostrou a sua desconsideração habitual pelos poderes vigentes) e a prefeitura municipal (que não conseguiu ler o humor público sobre o tema).

A Assespro-RS ajudou a intermediar um encontro privado entre executivos do Uber e representantes da prefeitura de Porto Alegre. Dias depois, promoveu um debate público com representantes do Uber e Mauro Pinheiro, presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

É verdade que o Uber é uma causa bem menos perdida do que a Secretaria de Ciência e Tecnologia e a BITS. Também é verdade que o setor de TI precisa tentar mais.